Investimento no transporte seria multiplicado por nove

Ricardo Rego Monteiro, Jornal do Brasil

RIO - Se nos últimos nove anos, os investimentos em transporte e logística se limitaram a 0,3% do PIB, de acordo com cálculos da CNT, na década de 70 equivaliam a quase 2% do total de riquezas produzidas no país. Para a entidade, a volta ao patamar de 30 anos atrás período em que foram construídas a Ponte Rio-Niterói e a Rodovia Transamazônica simplesmente multiplicaria por nove o investimento no setor, no Brasil.

A intenção do estudo, de acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade, é prover o governo de um Plano Nacional dos Transportes, a partir da experiência da entidade, que representa o setor de transporte no Brasil. O executivo justifica o esforço ao lembrar que um dos obstáculos para investimentos no setor é justamente a falta de uma prateleira de projetos em condições de desenvolvimento e execução de forma integrada.

Se você licitasse uma rodovia, por exemplo, por trechos, conferindo ao consórcio vencedor não só o direito de elaborar o projeto, mas também executá-lo, seria possível poupar tempo com o licenciamento ambiental, por exemplo avalia Andrade. Hoje, você licita primeiro o projeto, para depois promover nova concorrência para contratar o consórcio responsável pela execução das obras. Isso faz com que sejam necessários duas licenças ambientais.

Próximo dos anos 70

Dividido não só por tipos de modais, mas também por regiões do país, o Plano CNT de Logística inclui 587 projetos prioritários para a reestruturação, ampliação e integração da rede de transportes brasileira. Levando-se em conta horizonte de 10 anos, equivale a investimentos de R$ 28 bilhões por ano. Se comparado com 2007, o valor anual corresponderia a 1,1% do PIB daquele ano, próximo ao investido na década de 1970.

Diante da expressividade do total de recursos mínimos necessários para melhorar a oferta e qualidade do sistema de transporte, é fundamental a efetiva alocação de recursos dos orçamentos da União, dos estados e também Parcerias Público Privadas (PPPs) , sugere o texto do estudo que, além de R$ 126 bilhões para o setor rodoviário, prevê R$ 102 bilhões para o modal ferroviário; R$ 28 bilhões para hidrovias; R$ 12 bilhões para transporte intermodal; R$ 8 bilhões para infraestrutura aeroportuária; e R$ 4,5 bilhões para infraestrutura portuária.