Volume de crédito no Brasil ainda é baixo

SÃO PAULO, 26 de junho de 2009 - Dados da Equifax, líder mundial em informação e inteligência para decisão e gestão empresarial, registraram aumento de 9,36% no volume de cheques devolvidos em relação a abril e também um significativo crescimento no número de títulos protestados - no período, foram contabilizados 845.757 protestos, contra 793.856 no mês anterior.

Além do aumento da inadimplência, outro obstáculo que precisa ser superado é a concessão de crédito. Hoje o volume de crédito no Brasil está em 42,6% do PIB, do qual um terço desse volume corresponde ao crédito direcionado (crédito subsidiado para financiamento da safra agrícola, da política imobiliária e financiamento da expansão industrial, concedidos pelo Banco do Brasil, CEF e BNDES). Já o crédito livre representa 29,9% do PIB, no entanto deveria chegar a pelo menos 60%, como ocorre na maioria dos países desenvolvidos.

O problema em questão é a falta da cultura de crédito no Brasil. Uma boa parte das instituições financeiras que atuam no País ainda não estão acostumadas a lucrar com operações de crédito, enquanto a maioria da população também sofre com a falta de acesso a financiamentos, empréstimos e outros serviços de crédito.

Mas esses cenários negativos devem mudar com a aprovação do Cadastro Positivo, que foi votado no mês de maio na Câmara dos Deputados e agora segue para discussão no Senado. Além de reduzir expressivamente as taxas de juros, o Cadastro Positivo deve impulsionar a expansão do volume de crédito, sobretudo para a população de baixa renda - cujos integrantes muitas vezes não têm vínculo empregatício e, portanto, tem mais dificuldade em conseguir comprovar renda e adquirir crédito.

A expectativa é que, com a aprovação do Cadastro Positivo, cresça o volume e a qualidade do crédito no Brasil, que, além de reduzir os juros, também deverá aumentar os prazos de pagamento. A consolidação das mudanças na cultura de concessão de crédito no País ocorrerá em pelo menos um ano, quando o foco para os empréstimos deixará de ser o setor público e se estenderá às pessoas físicas e jurídicas. Nesse prazo, os spreads bancários deverão recuar bastante e o prazo médio para pagamento dos financiamentos subirá significativamente - de 273 dias para pessoa jurídica e 491 dias para pessoa física, para cerca de 700 dias e 1.400 dias respectivamente.

(SSB - Agência IN)