Quadro benigno de inflação em relatório do BC derruba taxas

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BRASÍLIA - O cenário tranquilo para os preços traçado no Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central levou à queda das taxas futuras de juros, uma vez que, no mínimo, abriria espaço para a manutenção da Selic em um patamar baixo, com chance, inclusive, de mais cortes.

No call das 16h, o DI janeiro de 2010 projetava 8,75% ao ano, de 8,78% no ajuste da véspera. Janeiro de 2011 estava em 9,92%, frente a 10,02% no ajuste anterior. Janeiro de 2012 indicava 10,85%, ante 10,92% no ajuste de quinta-feira.

Na sexta-feira anterior, considerando os dados de ajuste, o DI janeiro de 2010 marcou 8,86%, o janeiro para 2011, 10,17%, e o janeiro 2012, 11,23%.

No documento, o BC revisou a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de expansão 1,2% para avanço de 0,8%, e elevou a previsão de inflação em 2009 de 4% para 4,1%. Para a inflação do ano que vem, porém, cortou a projeção de 4% para 3,9%.

O Citigroup destacou, em relatório, que as projeções de inflação para 2009 e 2010 vieram abaixo do centro da meta, sugerindo cortes da Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Os analistas do banco reforçaram a previsão de corte de 0,50 ponto no encontro de julho, levando a Selic a 8,75% até o final de 2009.

- Contudo, nós admitimos a propabilidade elevada de um corte adicional em setembro - ponderaram.

De acordo com o operador de DI da tesouraria de um banco de investimentos em São Paulo, a curva de DI ainda precifica alta do juro em 2010, mas o prêmio nas taxas reduziu-se bastante após o Relatório de Inflação mostrar um quadro bastante benigno para os preços.

- O relatório foi 'driver' do dia, mas serão necessárias novas informações para que as taxas caiam mais - disse.

Nesse contexto, a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), na segunda-feira, deve concentrar as atenções. Há expectativa de que o CMN ratifique a meta de inflação para 2010 e anuncie a de 2011. Ainda no que diz respeito a preços, o IGP-M e o IPC-Fipe de junho devem ser monitorados. Do lado da atividade o foco estará na produção industrial de maio.