Deflação se agrava em maio no Japão

Agência AFP

TÓQUIO - Os preços ao consumidor no Japão sofreram uma queda recorde em maio (-1,1% interanual), o que ilustra a gravidade da deflação na segunda economia do planeta, confrontada com a queda do consumo e a perda de empregos.

Esta terceira baixa consecutiva dos preços, depois de -0,1% de março e abril, é a mais forte desde que o índice começou a ser calculado em 1971. A cifra de maio superou, inclusive, as registradas entre 1997 e 2006, quando o Japão conheceu um longo período de deflação depois da explosão da bolha imobiliária e bursátil do inícioi dos ano 1990.

A queda de maio foi arrastada pelos setores dos transportes e comunicações (-5,6%), lazer (-1,6%), combustíveis, água e eletricidade (-3,0%), mobiliário e bens domésticos (-1,6%).

Os preços da gasolina caíram fortemente, 26,4%, e os preços dos alimentos tiveram, em compensação, um aumento de 1%.

- Nós nos dirigimos para uma profunda deflação. O pior está por chegar - comentou David Yen, economista do banco francês Société Générale.

A deflação é um fenômeno pernicioso que arruina as perspectivas de lucro das empresas, desincentiva os investimentos e causa atrasos nos pagamentos.

O Japão atravessa atualmente uma recessão sem precedentes desde o final da Segunda Guerra Mundial, unida a uma deterioração do mercado trabalhista. Em abril, a taxa de desemprego alcançou 5%, o nível mais alto em cinco anos e meio.

O Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma forte queda no primeiro trimestre do ano (-14,2% em ritmo interanual).