Ata fala em distensão "residual" e curva de DI inclina

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BRASÍLIA - A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acentuou a inclinação da curva de juros futuros nesta quinta-feira. A queda dos contratos curtos refletiu ajustes para um corte de 0,5 ponto percentual da Selic em julho e os longos subiram com investidores pedindo prêmio diante de algum risco de inflação.

Segundo informações do mercado, a curva precificava um corte de 0,3 ponto do juro básico este ano e um aumento total de 3,95 ponto ao longo de 2010.

No encerramento da sessão regular, às 16h, o Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010 indicava 8,85% ao ano, ante 8,89% no ajuste da véspera. Janeiro de 2011 apontava 10,1%, frente a 9,91% no ajuste anterior. Janeiro de 2012 estava em 11,15%, ante 11% no ajuste de quarta-feira.

Na última reunião, em que a Selic foi reduzida para 9,25% ao ano, houve divergência sobre a magnitude da queda - seis diretores votaram pelo recuo de 1 ponto e dois por 0,75 ponto. Mas a ata mostrou convergência na avaliação de um espaço "residual" para mais corte.

Para o estrategista da CM Capital Markets, Marcelo Portilho, a ata reforça a previsão de que o BC deve reduzir o ritmo de queda da Selic, com um corte de 0,5 ponto em julho. Já o economista sênior do Banco Santander, Maurício Molan,projeta redução de 0,25 ponto.

A economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, também destacou os comentários do Copom sobre os efeitos da atividade sobre os preços, além da pouca margem para ajustes do juro.

Segundo a ata, o Copom avalia que "continuaram se consolidando as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas". Os diretores do BC, porém, avaliam que "a política monetária deve manter postura cautelosa".

Na análise de Portilho, o Copom indicou uma visão positiva de que a desaceleração das economias externas poderia continuar a contrair a demanda local e manter as perspectivas de inflação benignas, apesar da alta nas commodities. Por outro lado, vê alguma melhora na atividade doméstica.

Para o estrategista, ficar vendido em DI no intervalo de janeiro 2010 a julho de 2010 parece, por ora, mais apropriado. Outro componente para a alta dos contratos mais longos veio do exterior, com nova alta nos juros dos Treasuries.

Nesta quinta-feira, o Tesouro americano anunciou um volume recorde de US$ 104 bilhões em leilões de títulos na próxima semana.

O Tesouro Nacional vendeu 91,76% da oferta inicial de 6,3 milhões de títulos públicos que ofertou em leilão. A operação foi equivalente a R$ 6,66 bilhões.

No caso das LTN, foram colocadas 230,7 mil para abril de 2010, à taxa máxima de 9,0833%, e 4 milhões para janeiro de 2011, à taxa máxima de 10,188%. Na oferta de NTN-F, foram negociados 1 milhão para janeiro de 2013, com taxa máxima de 12,0199 por cento, e 50,6 mil para janeiro de 2017, a 12,808%.

O Tesouro também vendeu 288.850 LFT março de 2013, ao par, e 211.150 março de 2015, também ao par. Na operação de resgate antecipado de NTN-F, o Tesouro não aceitou nenhum proposta.