Pequim acirra protecionismo mundial

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O governo da China impôs uma exigência para seus projetos de estímulo econômico que, a partir de agora, vão ter que incluir produtos e serviços nacionais. A medida, de acordo com especialistas, pode desgastar os laços com parceiros comerciais depois Pequim ter criticado o Buy American de Washington, que solicitava à população dos Estados Unidos que comprassem só produtos americanos, depois de lançamento do pacote de estímulo para reativar a economia.

Os projetos precisam obter permissão oficial para usar bens importados, disse uma ordem assinada pela principal agência de planejamento chinesa e oito outras entidades governamentais.

Antes mesmo da medida, grupos empresariais temiam que companhias estrangeiras fossem excluídas dos projetos de construção financiados pelo estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 586 bilhões). Fabricantes estrangeiros de turbinas eólicas reclamam que foram excluídos de financiamento energético de US$ 5 bilhões.

Os projetos de investimento do governo devem comprar produtos fabricados em meio doméstico a menos que tais produtos ou serviços não possam ser encontrados em condições comerciais razoáveis na China , diz a ordem, com data de 1º de junho, divulgada esta semana pela mídia estatal. Projetos que realmente precisem comprar produtos importados devem ser aprovados pelos departamentos governamentais relevantes antes que a compra tenha início .

O estímulo de Pequim tem como objetivo isolar a China da desaceleração global, por meio de um impulso à demanda doméstica com gastos mais altos na construção de autoestradas e outras obras públicas.

O primeiro-ministro Wen Jiabao disse que a economia mostra mudanças positivas, mas que a base de recuperação não está sólida e o país deve estar preparado para dificuldades a longo prazo, segundo a agência oficial de notícias, Xinhua.

Jiabao já fez comentários semelhantes diversas vezes este ano, como reflexo dos esforços do governo em assegurar as companhias e o público chineses e encorajá-los a abastecer a recuperação por meio de gastos maiores, enquanto também avisa sobre os riscos da complacência.

Segundo a Xinhua, Jiabao citou números da indústria, investimento e varejo, mas não deu novas informações econômicas ou fez menção a novas iniciativas.

Promessa quebrada

O governo comunista prometeu em fevereiro tratar produtos estrangeiros e domésticos de forma igualitária nos gastos de estímulo, e apelou a outros governos por apoio ao livre comércio e evitar medidas protecionistas.

A China havia criticado Washington pela provisão que favoreceria fornecedores americanos de aço, ferro e manufaturados em projetos financiados pelo estímulo dos EUA. Na ocasião, a principal agência de notícias chinesa considerou as condições como um veneno para os esforços de resolução da crise econômica global, mas não houve indicação de que a última medida da China seja uma resposta às provisões americanas.