Países emergentes assinarão declaração final da cúpula do G8

Agência ANSA

ROMA - O representante da Itália para o G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), Giampiero Massolo, afirmou hoje que, pela primeira vez, a declaração final da cúpula da organização "sobre como relançar o crescimento e o desenvolvimento" será assinada também por Brasil, México, Egito, Índia, China e África do Sul, países emergentes que participarão do encontro.

Esses países participarão como convidados da reunião do grupo - formado por Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Grã-Bretanha e Rússia - que será realizada entre 8 e 10 de julho, na cidade italiana de Áquila, devastada em abril por um terremoto de 5,8 graus na escala Richter.

De acordo com Massolo, também serão assinadas declarações comuns com países africanos para uma parceria "sobre água e sobre segurança alimentar".

Durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Parlamento italiano, Massolo disse também que o G8 aprovará reformas para o sistema financeiro e econômico mundiais, "que eram vistas no início com receio mas que agora são amplamente compartilhadas".

Massolo ressaltou também que durante a cúpula "será feita uma análise sobre a crise, para avaliar se chegou ou não o momento de iniciar uma estratégia de retirada de uma série de medidas adotadas para enfrentar a emergência".

Os novos passos dos países desenvolvidos para fixar novas regras para o sistema econômico serão baseados, segundo o diplomata italiano, no "lecce framework, como é chamado o pacote de medidas estudadas pelos ministros de Economia e Finanças no último encontro do G8", realizado nos últimos dias.

O representante italiano do G8 também comentou o fracasso da Itália em alcançar as metas dos Objetivos do Milênio. O país não tem conseguido investir em desenvolvimento na proporção fixada.

Para reverter essa situação, a Chancelaria e a o Ministério da Economia preparam "um plano de realinhamento" dos financiamentos, para que a Itália possa "se reaproximar dos objetivos internacionais".

Segundo Massolo, seu país deveria alcançar um nível de investimento equivalente a 0,33% de seu Produto Interno Bruto (PIB), em 2006. À época, contudo, a proporção foi de apenas 0,2%. No ano seguinte, houve uma retração de 0,01% e, em 2008, teve uma pequena retomada, chegando a 0,22%. O objetivo é chegar a 0,51% do PIB em 2010.

Os principais temas da agenda da cúpula do G8, segundo Massolo, serão os Objetivos do Milênio e a África, e a Itália, que exerce a presidência rotativa do grupo, está promovendo "a aprovação de um instrumento de reavaliação sobre os empenhos assumidos pelos países-membros, partindo justamente do que fizeram e do quanto ainda falta fazer no âmbito do desenvolvimento e dos Objetivos do Milênio", afirmou.

Na última segunda-feira, o premier italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniram em Washington para rever a agenda da cúpula do G8.

De acordo com Berlusconi, as discussões girarão em torno da crise econômica e da criação de novas regras financeiras, de políticas de segurança alimentar, mudança climática e a continuidade da Rodada de Doha.