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Tesouro Direto ganha adeptos

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Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Aos poucos, brasileiros descobrem a aplicação, que cresceu 200% em três anos

Os brasileiros descobriram que investimentos não se resumem ao mercado de compra e venda de ações e fundos de bancos. Aos poucos, as aplicações em títulos públicos ganham adeptos. Segundo dados do Tesouro Nacional, de janeiro de 2006 a abril deste ano, o número de investidores no tipo de aplicação cresceu 200%, de 51.668 pessoas físicas para 156.015.

Para os especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil, os títulos públicos são, atualmente, a melhor forma de investimento em renda fixa. O gerente comercial da corretora Ágora, Hélio Pio, diz que essa aplicação apresenta rentabilidade de 11% a 12% ao ano, ou seja, o dobro da poupança, que atualmente é de 6,5%.

Em relação aos investimentos de renda variável, como o mercado de ações, a vantagem do Tesouro Direto é o baixo risco.

É o investimentos ideal para quem deseja retorno de médio e longo prazos assegurou o gerente da Ágora.

Além disso, o operador de renda fixa da corretora Ativa, Fernando Marques, ressalta mais três vantagens do produto: a segurança do Tesouro do país, a liquidez e as baixas taxas de corretagem.

Em relação à primeira, Marques lembra que, entre investir em um banco, que corre o risco de quebrar, a segurança da aplicação atrai muitos investidores conservadores. O Banco Central recompra esses títulos todas as quarta-feiras, ou seja, é um investimento que não fica estacionado como a poupança.

Custo menor

Mas um dos principais chamarizes para os títulos públicos são as baixas taxas de corretagem. As corretoras cobram menos de 1% nas tarifas de administração. Algumas não cobram pelo serviço.

Por isso, é mais vantajoso investir no Tesouro Direto do que em fundos de bancos, ressalta o diretor. Marques diz que esses fundos são constituídos majoritariamente de títulos públicos. Só que as instituições financeiras cobram taxas de administração de até 4%.

O brasileiro descobriu que pode comprar esse título diretamente. Não precisa ter um custo maior nos bancos, já que o Tesouro torna disponível essa ferramenta para os cidadãos ressaltou.

Baixo investimento inicial

Os títulos públicos também quebram o paradigma segundo o qual para investir é necessário muito dinheiro ou cair na poupança. Com R$ 200 é possível aplicar no Tesouro Direto. De acordo com informações do Tesouro Nacional, a faixa de até R$ 5 mil concentra 64% das aplicações em abril.

Especialista em finanças pessoais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Myrian Lund lembra que o principal objetivo do Tesouro Nacional foi justamente dar ao pequeno investidor as mesmas condições de acesso aos bancos.

Essa é a grande sacada. Na hora de comprar os títulos, as grandes instituições financeiras e o investidor comum possuem as mesmas oportunidades. Isso quer dizer que o pequeno investidor não precisa mais ficar preso ao banco explicou.

Myrian ainda destaca que o aplicador só paga imposto de renda do investimento no resgate do papel, que na maioria das vezes é de longo prazo, para 2014, 2017 e até 2024. Já nos fundos de investimentos, a pessoa paga o imposto de renda do rendimento no fim de cada semestre e no último dia útil de maio e de novembro.

O engenheiro elétrico Guilherme Lello conta que está aos poucos transferindo seus investimentos em ações e aplicações de renda fixa em bancos para o Tesouro Direto. Para o engenheiro, a rentabilidade e o baixo custo de administração são os principais atrativos.

Desde 2007 que resolvi transferir as minhas aplicações para os títulos públicos. São inúmeras as vantagens exalta.