Ubirajara Loureiro, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Baque no intercâmbio é maior com os países da União Europeia
O comércio do Brasil com a União Europeia vem sofrendo com mais intensidade os efeitos da crise que se abateu sobre a economia mundial. De janeiro a maio, enquanto as exportações brasileiras como um todo registravam retração de 22%, as vendas para a Europa do euro tiveram queda de 28%. Com isto, o continente erdeu para a Ásia o papel de principal parceiro comercial do Brasil, em termos de blocos.
O cotejo dos primeiros quatro meses de 2009 com os primeiros quadrimestres de 2006, 2007 e 2008 dá bem a dimensão do baque até agora: as exportações, que tinham passado, sucessivamente, de US$ 8,7 bilhões para US$ 11,7 bilhões e US$ 13,2 bilhões, despencaram para US$ 10,06 bilhões.
Este movimento vem na contramão do crescimento consistente que vinha se registrando desde 2003. De lá até o ano passado, as exportações do Brasil para a União Europeia passaram de US$ 18,8 bilhões para US$ 46,3 bilhões.
E o pior é que, segundo especialistas com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do desenvolvimento e comércio Exterior, Welber Barral, há indicações de que pode haver espaço para queda nos valores do comércio Brasil-UE: a desvalorização do dólar no mundo e consequente valorização do euro e do real nas últimas semanas até agora não foi sentida, mas deve aparecer na verdadeira grandeza daqui a dois ou três meses.
Não há estimativas numéricas para o impacto que o patamar atual do câmbio pode exercer sobre as exportações brasileiras. O que sabemos é que, como os contratos são fechados com certa antecedência, o patamar atual ainda não afetou os índices da balança e, se afetar, só registraremos daqui 60 ou 90 dias.
Porém, ressalto que o câmbio não tem o mesmo efeito sobre os diversos setores da economia. Segmentos intensivos em mão-de-obra como têxteis, calçados e móveis sofrem mais com a valorização do real que demais setores explica Barral.
Nesta linha, desenha-se o quadro em que, em vista da crise, reduz-se o volume das exportações, como um todo e em especial para a União Europeia. Os exportadores brasileiros recebem menos por conta da redução de volumes embarcados para o exterior, em função da queda de demanda. E, além disso, a receita das vendas em real é reduzida em quase 20%, tendo-se em conta que são efetuadas em dólar, que, em dezembro passado valia R$ 2,39 e na última semana tinha sua cotação na faixa de R$ 1,90.
O vice-presidente da Associação de Comércio exterior do Brasil, Josá Augusto de Castro analisa este contexto explicando que a União Europeia compra do Brasil basicamente commodities, cujos preços, depois do aquecimento registrado em meados do ano passado, entraram em espiral descendente.
Com a baixa dos preços das commodities, que representam cerca de 80% das vendas para a Europa, aliada a uma retração de demanda, a queda nos volumes de exportação é inevitável. E os preços estão caindo como no caso da soja, do frango e da carne, que, além de tudo, enfrenta restrições aduaneiras estabelecidas pela União Europeia no ano passado. Então, como os preços continuam em baixa, a exportação para lá vai continuar caindo diz José Augusto de Castro.
No que se refere às importações brasileiras de produtos europeus, Castro revela que, entre janeiro e maio, caíram de US$ 13,7 bilhões para US$ 10,66 bilhões, uma redução de 19,2% menor do que a registrada no valor global das importações do país, que caiu 26,5% no mesmo período de tempo. A União Europeia exporta para cá basicamente produtos manufaturados. No caso, segundo Castro, a explicação mais provável para redução dos valores é a queda demanda, não de preços.
No geral, considerando-se os fluxos de importação e exportação, de acordo com Castro, não se pode esperar variação significativa a curto ou médio prazo:
A tendência é manter-se este ritmo, apesar da forte valorização do euro frente ao dólar, o que torna o produto o que torna o produto europeu mais barato para o Brasil. Mas mesmo com a valorização que torna o produto brasileiro exportado em dólar para lá mais barato, a tendência é o mercado permanecer nesse ritmo, porque as commodities podem ter uma recuperação, mas nada que provoque uma inversão de valores. Então, caminhamos para fechar o ano com uma queda média de 20% especula José Augusto de Castro.
O economista entende que, no fundo, tudo na balança comercial brasileira de 2009 vai depender da China.
A China é que vai balizar nosso superávit comercial, maior ou menor. Quando todos achavam que em 2009 nos aumentaríamos nosso déficit comercial com a China, houve uma reversão de valores. A China passou a comprar muito mais commodities do Brasil, aproveitando o preço baixo, e , com isto, passou a ter um superávit significante com o Brasil