Nova queda no PIB dos EUA : 5,7%

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A economia norte-americana contraiu-se menos que o preliminarmente estimado no primeiro trimestre, enquanto os lucros corporativos se recuperaram, segundo relatório do Departamento de Comércio divulgado ontem.

O Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção total de bens e serviços dentro do país, recuou 5,7% na taxa anualizada, informou o departamento, menos que os 6,1% previstos pelo governo.

A expectativa do mercado era de uma queda de 5,5% entre janeiro e março. A produção declinou por três trimestres seguidos pela primeira vez desde 1974-1975.

O relatório indica que os lucros corporativos 1,1% no primeiro trimestre, no primeiro avanço em um ano, após queda de 10,7% no quarto trimestre.

Brasil favorecido

A sensação de que a economia global já chegou ao fundo do poço e o Brasil deve se sair melhor do que outros países no processo de retomada deve garantir mais entrada de dólares no Brasil em junho, mantendo o real apreciado.

Analistas preveem, no entanto, que o ritmo vertiginoso de queda do dólar pode não se sustentar após os vencimentos de contratos futuros e derivativos na virada do mês.

Em maio, a moeda americana teve a maior baixa mensal desde abril de 2003, de 9,5%. A cotação de R$ 1,975 no fechamento de ontem é a mais baixa desde 1º de outubro do ano passado, quando encerrou a R$ 1,925 na venda.

De repente, a percepção de que a gente já atingiu o fundo do poço (na economia global) começou a se espalhar. E o Brasil está se beneficiando desse momento disse Fernanda Feil, economista da consultoria Rosenberg & Associados, em São Paulo.

Não acredito que seja algo que vai se manter no longo prazo porque, de efetivo, nada foi resolvido na economia mundial. Mas, no curtíssimo prazo, um ou dois meses, a tendência é de os ingressos continuarem chegando afirmou.

Em maio, até o dia 22, o fluxo cambial no país estava positivo em US$ 3,086 bilhões. A maior parte dos recursos externos chegou ao Brasil por meio de investimentos estrangeiros diretos e para a Bovespa. É a maior entrada líquida de dólares em um mês, desde abril do ano passado.

Refletindo essa perspectiva de ingresso de recursos no país, as posições compradas dos investidores estrangeiros caíram para os menores níveis desde setembro.

Pelos últimos dados da BM&F, as posições futuras compradas desses investidores estão em cerca de US$ 580 milhões. Em março, quando as apostas na alta do dólar atingiram o pico, essas posições chegaram a US$ 14,3 bilhões.

Até por isso, a eventual taxação das aplicações externas em renda fixa seria ineficiente para brecar a apreciação do real.

Somente nesta semana, o dólar caiu 2,5%. O movimento teria sido exacerbado por interessados em defender posições para o vencimento de contratos futuros e derivativos na virada do mês.