Economista adverte que dólar depreciado afeta emprego

Ricardo Rego Monteiro, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Mesmo com todos os benefícios proporcionados às empresas endividadas em dólar, o câmbio valorizado é visto por alguns como um instrumento econômico prejudicial à geração de empregos no país. Especialistas avaliam que, ao afetar setores como a indústria de transformação, a atual cotação da moeda americana tende a sacrificar um dos setores que ainda respondem por boa parcela dos postos de trabalho do país.

O dólar mais barato é bom para o consumidor, que pode comprar artigos de consumo, mas ruim para o emprego, por causa de setores como o de transformação, que tem tido dificuldade para exportar avalia o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Estímulo às importações

Carlos Thadeu de Freitas lembra que, ao prejudicar a vida de setores empregadores, a apreciação do real tende a transferir os empregos para outros países, como resultado do estímulo às importações. Por isso, no cômputo dos prós e dos contras, o ex-diretor do BC adverte para a necessidade de se conter a apreciação do real. Nesse caso, propõe Freitas, cabe ao BC reduzir de forma mais rápida a taxa básica de juros (Selic).

Muito mais do que reflexo dos bons fundamentos da economia brasileira, essa alta do real se deve a dois fatores: a tendência mundial de desvalorização do dólar e à alta dos juros no Brasil. Com a Selic mais alta do que as taxas de juros de outros países, o país atrai o dinheiro de investidores dispostos a ganhar com a arbitragem das taxas alerta o ex-diretor do BC, ao citar as operações que envolvem a captação de dinheiro a juros baixos para aplicação em ativos no Brasil, que remuneram a juros mais altos.

Para especialistas, os efeitos favoráveis da alta do real sobre a indústria tendem a ser minimizados, do ponto de vista do emprego, pela tendência verificada entre os empresários de aproveitar a crise para incorporar ganhos de produtividade. Em resumo, mesmo que reduzam o endividamento, os empresários não deverão contratar mais.