DIs pouco mudam, apesar de deflação surpresa do IGP-M

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BRASÍLIA - Os contratos futuros de juros mostraram pouca oscilação nesta quinta-feira ante o ajuste da véspera, apesar da inesperada deflação do IGP-M em maio. O resultado do leilão do Tesouro Nacional chegou a "incomodar" a parte longa da curva momentaneamente.

No encerramento do pregão regular, às 16h, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro 2010 projetava taxa de 9,24% ao ano, igual ao ajuste e ligeiramente abaixo do fechamento (9,27%) anterior. Janeiro 2011 estava em 9,82%, frente a 9,85% no fechamento e 9,83% no ajuste da véspera. Janeiro 2012 apontava 10,77%, também igual ao ajuste e abaixo do fechamento (10,81%) de quarta-feira.

O volume de contratos negociados até 16h somava 313.850 ativos. Na véspera, foram negociados 521.020 contratos.

Na visão do gestor da Ático Asset Management, Eduardo Canto, o "game" nos contratos de DI com vencimentos mais curtos está praticamente dado para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do próximo mês. Segundo ele, a curva tem no preço chance maior de queda de 0,75 ponto percentual da Selic.

- A parte longa, por sua vez, tem muita volatilidade. As curvas de juros no mundo estão inclinando para cima, principalmente os títulos do Tesouro americano, e o mercado brasileiro de juros deve sentir isso também - avaliou o profissional. Ele acrescentou, porém, que o segmento continuou "largado" nesta sessão, com volume reduzido de negócios.

Canto disse que o resultado do IGP-M pouco influenciou as operações, argumentando que, "a menos que tenha um descolamento muito grande das expectativas, o foco continua a ser a atividade".

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou nesta manhã uma queda de 0,07% no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de maio, ante recuo de 0,15% em abril. Analistas consultados pela Reuters previam inflação de 0,09%, segundo a mediana de 30 respostas que variaram de estabilidade a alta de 0,17%.

Na parte da tarde, influenciou a parte longa da curva a colocação parcial de NTN-F e taxas acima do consenso no leilão de títulos públicos.

- O mercado reagiu com mau humor, uma vez que o Tesouro pagou prêmio e não vendeu todos os papéis ofertados - disse o profissional da área de juros de uma corretora na capital paulista. Na prática, isso significa, de acordo com ele, que o mercado está se mostrando sem prêmio ou está passando por uma realização de lucros.

- O Tesouro) não colocou tudo e as taxas ficaram acima do consenso - reforçou Canto, citando que algumas taxas subiram após a divulgação do resultado. Os DIs, contudo, logo voltaram aos níveis próximos do ajuste da véspera.