Atividade em SP deve cair 5% em 2009, diz Fiesp

SÃO PAULO, 28 de maio de 2009 - A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) projetou hoje que em uma hipótese "otimista" a atividade da indústria paulista de transformação deve cair 5% neste ano.

Para atingir o resultado, que seria o pior desde 2003, o Indicador de Nível de Atividade (INA) calculado pelas entidades precisaria crescer 2,4% ao mês, com ajuste sazonal, pelos próximos oito meses.

"São níveis de crescimento difíceis de serem atingidos. É uma sequência que nunca se conseguiu na história da indústria", avaliou Walter Sacca, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

O INA apontou estabilidade no mês de abril - alta de 0,1% com ajuste sazonal. Já a variação sem ajuste (nominal) foi negativa em 1,6%. No acumulado do ano, houve queda de 14,6% - a pior variação de toda a série histórica, iniciada em 2001, nesta base de comparação.

"No momento, a atividade da indústria está 11,8% abaixo da média obtida no ano anterior. Este é o resultado negativo que teremos se o indicador ficar estável nos próximos meses", projetou André Rebelo, gerente do Depecon. "Será um grande feito fechar o ano com queda de 5%, levando em consideração a tarefa que temos pela frente", acrescentou.

Para terminar o ano sem declínio de atividade, com crescimento zero, o INA precisaria computar elevação mensal de 3% - o que é pouco provável, segundo as entidades. Para Walter Sacca, o indicador está em ligeira recuperação, quase atingindo um novo patamar.

"Não achamos que a indústria deve recuperar a performance do ano passado. Tudo leva a crer que a recuperação será gradual, mas não de forma rápida", reforçou o diretor. "Há indícios de que, realmente, o pior da crise já tenha passado para o Brasil. O que não significa que estamos imunes", prosseguiu.

Entre os componentes do INA, destaque para o total de vendas reais, com queda de 10,2% em abril. No acumulado do ano, tiveram baixas expressivas o total de horas pagas (-6,8%), horas trabalhadas na produção (-9,1%) e horas médias trabalhadas (-7,1%). O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) atingiu 78,4% no mês, contra 82,6% em abril do ano passado.

Após uma série de resultados negativos no início do ano - quando os demais setores já apresentavam leve recuperação -, as atividades ligadas a metalurgia básica tiveram um início de melhora em abril, com alta de 2% na série dessazonalizada do indicador. O acumulado do ano computa baixa de 27,3%.

O segmento de minerais não metálicos está mais próximo da média do INA e indica tendência de estabilidade. Houve elevação de 0,6% com ajuste, mas o setor acumula queda de 4,1% no ano. Já o item alimentos e bebidas experimenta aumento nas vendas e crescimento de 4,5% de janeiro a abril. No mês, a elevação foi de 2%.

(Redação - InvestNews)