Apesar da queda da economia, Mantega descarta recessão

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) que a economia voltou a crescer a partir de março e que os resultados do primeiro trimestre, que foram negativos, são passado. Apesar da queda da economia em dois semestres consecutivos, ele defende que não há recessão. Mantega prevê crescimento do PIB de 4% para 2010, abaixo, portanto, da previsão orçamentária que estima alta de 4,5% para a economia.

O ministro disse também que o governo não vai mexer no câmbio e que a estratégia é a de ampliar as reservas. Para Mantega, estão equivocados aqueles que dizem que o país teve recessão no ano passado. Segundo ele, houve, sim uma forte desaceleração no quarto trimestre de 2008 e fraco desempenho no primeiro trimestre deste ano. Para o ministro, 2009 será um ano de recessão forte, principalmente nas economias avançadas, mas no final do ano haverá algumas mudanças em alguns países.

A recuperação é mais rápida nos países emergentes e mais lenta nos avançados. Segundo o ministro, a crise tende a ser mais curta no Brasil. A pequena melhora externa já implica retomada do fluxo de capitais e captações externas. Neste mês, o Brasil voltou a lançar títulos no exterior. O ministro afirmou que o risco país (que mede o grau de confiança do investidor estrangeiro na economia) voltou a cair, melhorando a situação do Brasil dentre os demais emergentes. Ele apresentou pesquisa que mostra o Brasil como o segundo país de maior interesse dos investidores, entre os Bric Brasil, Índia, China e Rússi.

A recuperação da produção de veículos é outro fator que, segundo Mantega mostra a atual situação da economia nacional. O país já produz mais veículos do que no mesmo período do ano passado. Para o ministro, o fato de o Brasil depender mais do mercado interno do que do externo, permite ao país sentir menos a queda do nível da atividade externa do que as nações que dependem dependentes de exportações. Mantega lembrou que o país tem mercado interno forte, que depende da massa salarial, da renda e do poder de compra, que tem melhorado.

O ministro ressaltou que o pior da crise financeira internacional já passou. De acordo com Mantega, a apreciação do real reflete não só o movimento mundial de queda do dólar, mas a confiança dos investidores no Brasil. Porém, ponderou que o câmbio valorizado tem também uma face negativa ao diminuir as vantagens do setor exportador. O ministro lembrou o desempenho recente da Bovespa e disse que o mercado financeiro acredita que o Brasil reúne melhores condições para sair da crise .