Produção industrial recua 14%

Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

RIO - A produção industrial brasileira caiu 14% em abril deste ano, quando comparado ao mesmo mês de 2008, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada quarta-feira.

Entretanto, na comparação com o mês de março, houve crescimento de 1,8% em abril na produção com ajuste sazonal, informou o coordenador do Indicador Ipea de Produção Industrial Mensal, Leonardo Carvalho.

Dentre os indicadores setoriais, o destaque ficou por conta da produção de veículos que, após acumular queda de 16,8% no primeiro trimestre deste ano ante igual período de 2008, voltou a apresentar retração superior a dois dígitos em abril, recuando 15,8%.

Mas o coordenador do instituto não vê motivos de desespero para esse setor, já que, em março, o aquecimento das vendas de automóveis aconteceu em função da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI).

Este resultado deve ser entendido mais como uma acomodação, já que o primeiro trimestre deste ano registrou uma antecipação de vendas, devido às incertezas sobre a prorrogação da redução do IPI explicou Carvalho.

Por outro lado, o fluxo de veículos pesados nas rodovias registrou o terceiro mês consecutivo de crescimento na margem, avançando 0,9% em relação a março, mas, na comparação interanual, abril voltou a registrar recuo, com queda de 4,9%.

O setor de energia registrou variação negativa na comparação interanual de 9,8%. Já o setor de papelão cresceu 1,8% em relação ao mês anterior, com retração de 4,9% na comparação com abril de 2008.

O primeiro trimestre de 2009 acumulou queda de 14,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Recuperação muito lenta

O professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Júlio Gomes de Almeida, disse que o crescimento da produção industrial em abril em relação à março é um bom sinal, já que é o quarto aumento seguido. Só que essa recuperação ainda está muito lenta, segundo o professor.

A produção caiu de forma abrupta entre outubro e dezembro, por isso a recuperação teria de ser maior. O crescimento em abril é um bom sinal, mas ainda pequeno. Para compensar a forte queda do último trimestre do ano passado, o aumento tem ser maior explicou.

Para Almeida, a recuperação da produção industrial só virá mesmo no segundo semestre de 2009. Mas o professor ressalta que já há sinais de que a economia parou de afundar e passa por um período de acomodação.

Ainda é cedo para ficar otimista, mas os índices de abril passam a mensagem de que são o bastante para não ficar pessimista destacou.

As medidas para combater os efeitos da crise financeira internacional e recuperar a economia do país já foram tomada, disse o professor. A política de redução da taxa básica de juros, planos fiscais do governo e aumento do crédito são a saída para a estagnação do mercado.

As soluções estão em prática. Mas a política de ampliação do crédito pode ser mais agressiva, que ainda está escasso e caro no mercado ressaltou o professor.