Dólar fica de novo abaixo de R$ 2

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O dólar fechou em queda ante o real quarta-feira, em meio ao contínuo ingresso de recursos no mercado doméstico, depois de chegar a cair abaixo do nível psicológico de 2,00 reais no início do dia.

A moeda norte-americana recuou 0,25%, a R$ 2,016 para venda. Logo na abertura, a cotação chegou a cair mais de 1%, a R$ 1,999 menor patamar desde o início de outubro.

O que a gente tem visto é muita oferta de dólares, e essa oferta tem sido maior do que a demanda avaliou o analista de câmbio da Corretora Liquidez Mario Paiva. De acordo com ele, os recursos estão entrando tanto pelo segmento comercial quanto pelo financeiro.

Dados divulgados pelo Banco Central anteontem mostraram que o Brasil acumula em maio entrada líquida de recursos externos de R$ 3,086 bilhões.

O ingresso leva em conta dados até o dia 22, mas, caso maio já estivesse fechado, seria a maior entrada mensal desde abril de 2008, quando o saldo positivo ficou em R$ 6,723 bilhões.

Para o economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, o ingresso de dólares no mercado local via segmento financeiro deve continuar pelos próximos meses, caso as perspectivas positivas para o Brasil permaneçam.

Vieira lembrou os números divulgados pela Bovespa, revelando que o saldo líquido entre compras e vendas de ações por parte de investidores estrangeiros no mês, também até 22 de maio, atingiu R$ 4,4 bilhões. No ano, esse número sobe para R$ 9,5 bilhões.

Sem dúvida é um número surpreendente, e isso tem contribuído para a queda do dólar destacou Vieira.

Em meio a esse cenário, o Banco Central realizou na tarde de quarta-feira mais um leilão de compra de dólares no mercado à vista. O Banco Central retomou esses leilões no dia 8 de maio, depois de um jejum de cerca de oito meses, na tentativa de conter a valorização do real frente ao dólar.

Opções aquecidas

Não bastasse o contexto favorável à queda do dólar, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operações no mercado de opções ajudaram a forçar a taxa para baixo.

De acordo com um operador, que preferiu não ser identificado, há cerca de 80 mil contratos de opção em aberto na BM&F na faixa de R$ 1,90 e R$ 2,05, a vencer neste mês, com um grande volume concentrado na taxa de R$ 2.

Esses contratos serão liquidados pela Ptax (taxa média das cotações ponderada pelo BC) do dia anterior ao vencimento, ou seja, de sexta-feira.

Assim, interessa a alguns players que compraram esse contrato que a taxa à vista caia e influencie a Ptax, para eles lucrarem com a operação se houver exercício.

Se cair a R$ 2, esses players não ganham nada, mas, se a cotação recuar abaixo disso, o ganho é proporcional, uma vez que eles ficarão vendidos nessa taxa explicou.