Sem conseguir se manter, dólar cede e vai a R$ 2,02

SÃO PAULO, 26 de maio de 2009 - O dólar chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas sem sustentação fechou a terça-feira em baixa de 0,25%, vendido a R$ 2,02. Além do fluxo de capitais que segue firme em direção ao Brasil, a movimentação dos investidores - principalmente estrangeiros e hedge funds - com posições vendidas na opção de dólar a R$ 2 no mercado de derivativos, tendem a forçar as cotações da moeda para baixo deste patamar para maximizar os ganhos.

Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, lembra que além do volume expressivo em opções, há vencimento de cerca de US$ 3,4 bilhões em contratos de swap cambial reverso no início de junho, em que os players vendedores são credores de juro e o Banco Central, comprador, credor da variação cambial positiva. Essa operação foi realizada com o preço do dólar ao redor de R$ 2,14, no dia 5 de maio e desde então, o dólar à vista já apura queda de 5,16%.

"A variação cambial está negativa com ônus ao Banco Central (BC) e um ganho adicional aos players, que já têm assegurado o juro previsto na transação. Quanto maior a apreciação do real esta semana, maior será o ganho dos investidores que venderam moeda ao BC nessa operação", observa a executiva.

Miriam pondera, entretanto, que com o cenário externo mais cauteloso, pode ficar adiada para os próximos dias a possibilidade de que a moeda norte-americana rompa o piso de R$ 2. Mas novos fatos contribuem para fortalecer a percepção de que o país não corre riscos de problemas no ambiente cambial.

Ontem foi divulgado que o superávit da balança comercial na terceira semana de maio que ficou em US$ 698 milhões, acumulando no mês US$ 1,75 bilhão e no ano expressivos US$ 8,472 bilhões. Hoje, novo dado positivo, com as contas externas brasileiras ficando positivas pela 1ª vez após 18 meses. Segundo o BC, as transações em contas correntes registraram em abril superávit de US$ 146 milhões. No ano o déficit acumulado é de US$ 4,874 bilhões, abaixo dos US$ 13,3 bilhões registrados no mesmo período de 2008. Já os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) atingiu US$ 3,4 bilhões em abril, ante projeção de US$ 2,3 bilhões.

Para fazer frente ao fluxo, o BC voltou a comprar dólares no mercado à vista. Algumas notícias vindas de fora também foram positivas, como a confiança do consumidor norte-americano, que subiu mais do que o esperado em maio, chegando a 54,9 pontos e a melhora da atividade manufatureira de Richmond.

Por outro lado, os números não deixam dúvidas de que o gigante europeu está passando no meio da maior tormenta em décadas. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha caiu 6,9% na comparação anual e tombou 3,8% no trimestre.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)