Pelo terceiro dia, bolsa realiza lucro e cai 3,27%

SÃO PAULO, 13 de maio de 2009 - Pela terceira sessão consecutiva, a bolsa brasileira acompanhou o desempenho das principais praças acionárias mundiais e terminou em baixa. Com a agenda de indicadores recheada, os investidores aproveitaram, mais uma vez, para realizar lucros. Ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa desvalorizou 3,27%, aos 48.679 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,99 bilhões. Mesmo assim, o Ibovespa acumula alta de 2,93% no mês.

"A bolsa brasileira não tem espaço para continuar subindo do jeito que estava na semana passada. Os investidores ainda estão machucados com a crise, e como os preços das ações estão elevados, os agentes aproveitam para garantir retorno", considera Marcelo Lima, analista de investimentos da Spinelli Corretora de Valores.

No âmbito doméstico, sem a divulgação de indicadores de peso, o mercado acompanhou os resultados corporativos da Cyrela Brazil Realty (CYRE3). A companhia obteve lucro líquido R$ 100,5 milhões no primeiro trimestre de 2009, volume 46,6% maior frente ao mesmo período do ano anterior. As ações ordinárias da Cyrela terminaram a sessão com declínio de 6,73%, cotadas a R$ 13,01.

Ainda por aqui, a Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6) anunciou hoje a suspensão da produção de caprolactama, insumo utilizado para fabricar nylon. De acordo com a companhia, a unidade de produção, localizada em Camaçarí (BA), entrará em período de hibernação por tempo indeterminado. Os papéis preferenciais da Braskem perderem 3,92% no pregão.

Já as ações preferenciais da Aracruz e da Votorantim Papel e Celulose (VCP) terminaram a sessão com desvalorização de 9,55% e 9,17%, respectivamente, figurando entre as maiores baixas do Ibovespa. De acordo com Peter Ping Ho, analista de investimento da Planner Corretora, o movimento foi influenciado pela proximidade da conversão dos papéis da Aracruz nos da VCP, que seguem a mesma tendência. A conversão de ações é a última etapa do negócio, pelo qual a VCP assume o controle total das operações da Aracruz.

No cenário externo, o Bank of America (Bofa) confirmou hoje a venda de sua participação de 5,8% no capital do banco chinês China Construction Bank (CCB), em uma operação que lhe garantirá US$ 7,3 bilhões. Especulações no mercado levantam a possibilidade de o Bofa ter de vender sua participação de cerca de 5% do capital total do ItaúUnibanco, com valor aproximado de US$ 3 bilhões. Isso porque, especula-se, que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) estaria ou não obrigando a instituição a desfazer suas posições frente a necessidade de levantar US$ 34 bilhões, resultado dos testes de estresse.

Os investidores também repercutiram dados econômicos norte-americanos. As vendas no varejo caíram 0,4% em abril deste ano, frente ao mesmo período anterior. O mercado esperava uma estabilidade. No mesmo sentido, o nível de estoques da indústria norte-americana caiu 1% em março face ao mês anterior. "Os dados não trazem nenhuma novidade, são apenas uma confirmação, abrindo mais espaço para realização de lucro", avalia Marcelo Lima, analista de investimentos da Spinelli Corretora de Valores.

(Déborah Costa e Micheli Rueda - InvestNews)