Ipea diz que País tem condição de reduzir superávit primário

Portal Terra

SÃO PAULO - A economia brasileira já está em condições de reduzir o superávit primário para pagamento dos juros com a dívida pública, "sem risco de explosão do montante deste débito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB)". É o que afirma o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em estimativas que levaram em conta diferentes cenários e projeções para a economia.

De acordo com o Ipea, mesmo em um cenário com baixo crescimento econômico (alta de 1,5% do PIB) e zero de investimento público, se o superávit primário for também zerado, o impacto sobre a dívida pública brasileira em relação ao PIB não será expressivo.

Atualmente, esta relação está em torno de 37,6%, "e mesmo que a meta do superávit primário do governo seja reduzida a zero, o máximo que esta relação crescerá será 1,7 ponto percentual ao final de 2009", diz o instituto.

Estimativas realizadas pelo coordenador do Grupo de Análises e Projeções do Ipea, Roberto Messenberg, apontam que se os investimentos públicos alcançarem 2% do PIB, com a economia crescendo no mesmo ritmo anual de 1,5%, o superávit primário poderá ser reduzido a zero, pois o impacto desta operação sobre a relação dívida pública líquida/PIB não passará de 0,1 ponto percentual.

Em um cenário inverso, com alta do PIB entre 2% e 2,5% e investimentos públicos cravados em 2%, mesmo que o superávit primário seja zerado, ainda assim, a relação dívida pública/PIB terá um decréscimo de 0,1 ponto percentual, ainda de acordo com o Ipea.