Recuperação da Europa só em 2010

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - FMI indica contração no continente em 2009 e início do próximo ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a recuperação econômica na Europa pode começar durante o segundo semestre de 2010, mas sustenta que a atividade nas economias europeias mais avançadas vai contrair este ano e no próximo.

Para estimular essa recuperação, deverão ser adotadas novas medidas, especialmente no setor financeiro , afirma o relatório que o FMI apresentou terça-feira, em Paris, sobre as perspectivas econômicas para a Europa.

No caso dos países mais avançados do continente, o FMI prevê uma contração de 4% em 2009 e que o crescimento vai continuar negativo em 2010, mas a uma taxa mais moderada, de 0,4% . Sobre as economias emergentes europeias, o Fundo prevê queda de 4,9% em 2009 e alta do crescimento de 0,7% em 2010.

A inflação vai cair a níveis muito baixos em muitos países, mas provavelmente vai se evitar uma deflação clara, segundo as previsões do FMI, que acrescenta que, diante dos baixos níveis do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), os consumidores poderiam recuperar a confiança antes.

Novas medidas

Embora reconheça que há bases sólidas para uma recuperação gradual, os governos deverão adotar novas medidas de política econômica , buscando restabelecer a confiança dos mercados e acelerar a recuperação, disse Marek Belka, diretor do Departamento da Europa do FMI.

Essas medidas compreendem a contínua provisão de liquidez e a distensão do crédito segundo a necessidade, e o reconhecimento crível das perdas no sistema financeiro.

Também incluem a recapitalização das instituições viáveis por parte do setor privado mas com apoio público, se necessário e o isolamento dos ativos desvalorizados nos casos em que sejam parte significativa do balanço.

Coordenação sólida

Belka disse, ainda, que é preciso, primordialmente, uma coordenação sólida, em particular no âmbito da estabilidade macroeconômica regional e financeira .

A Europa é a economia de mercado mais integrada do mundo e, no entanto, as políticas adotadas para fazer frente à crise foram implementadas em nível nacional afirma Belka.

O diretor ressaltou que a região deve enfrentar a maior tempestade econômica da história e precisa urgentemente contar com instituições que possam protegê-la.