Crise mundial: indústria elimina 5,8% dos empregos

Sabrina Lorenzi, Jornal do Brasil

RIO - O emprego na indústria ainda não refletiu a recuperação que o setor começou a experimentar em março. A crise já levou 5,8% dos postos de trabalho das fábricas brasileiras, de acordo com dados dos últimos seis meses do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um exército de mais de 350 mil pessoas, levando-se em consideração o universo da última pesquisa industrial anual do órgão. O IBGE também apurou, no entanto, que o movimento de cortes desacelerou, o que pode indicar alívio para os trabalhadores nos próximos meses.

O total de postos de trabalho nas fábricas recuou 0,6% entre fevereiro e março queda mais amena que as taxas idênticas de 1,4% verificadas nos dois primeiros meses de 2009.

Essa taxa de 0,6% já não é tão acentuada quanto as outras afirmou André Macedo, um dos economistas responsáveis pela Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salários (Pimes). O técnico do IBGE destaca que as horas extras pagas pelos patrões também não tem recuado tanto quanto antes, no início da crise.

Por outro lado, quando comparado a março de 2008, quando a economia caminhava a pleno vapor, o nível de emprego na indústria expõe a pior marca desde o início da pesquisa. Houve uma queda de 5% em relação a março do ano passado, a maior desde 2001. Ao todo, 14 dos 18 ramos pesquisados demitiram mais do que contrataram em um ano. É o caso da indústria de vestuário (-8,6%), máquinas e equipamentos (-8,2%), calçados e artigos de couro (-10,3%) e meios de transporte (-7,0%). Papel e gráfica (7,0%), refino de petróleo e produção de álcool (3,5%), minerais não-metálicos (0,8%) e indústria extrativa (0,5%), porém, aumentaram o quadro de empregados.

Os salários medidos a partir da folha de pagamento da indústria recuaram 2,2% em março em relação ao mesmo período de 2008. Em comparação com fevereiro, a queda é de 2,5%. E o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, em março, apresentou queda de 0,9% em relação a fevereiro, na série livre dos efeitos sazonais, sexto resultado negativo consecutivo, acumulando no período perda de 6,6%.

O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, em março, apresentou queda de 0,9% em relação a fevereiro, na série livre dos efeitos sazonais sexto resultado negativo consecutivo, acumulando no período uma perda de 6,6%.

De janeiro a março, o emprego industrial encolheu 4,0%, em relação ao primeiro trimestre de 2008. É quase o mesmo recuo no trimestre em relação ao anterior.

O resultado negativo dos três primeiros meses de 2009 interrompe uma sequência de 10 trimestres de taxas positivas , diz o IBGE.