Serra volta a criticar BC e quer corte de até 1,5 ponto no juro

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SÃO PAULO - Os recentes cortes da taxa básica de juros na economia não satisfizeram o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que vê espaço para uma nova redução, de até 1,5 ponto percentual no mês de junho.

- Não perdemos a liderança em matéria de juros - disse Serra, dirigindo-se uma plateia de empresários e de economistas premiados com o Nobel reunidos para discutir os rumos da crise financeira mundial.

Serra, que insistiu que falava como governador e não como possível candidato à presidência, vinha criticando o nível da taxa de juros, mas esta foi a primeira vez nos últimos meses que arriscou um palpite. Ele vê, no entanto, uma oportunidade perdida para um choque na taxa.

- O Banco Central deveria ter reduzido de uma vez só (os juros) em 300 ou 400 basis points (3 a 4 pontos percentuais). Ninguém teria ficado pensando em inflação. Agora é um momento mais delicado... o mais prudente é reduzir em junho 100 a 150 basis points - afirmou.

O BC promoveu três reduções sucessivas de 1 a 1,5 ponto, levando a taxa aos atuais 10,25% ao ano.

Para Serra, o Banco Central não pode estar preocupado com os índices de inflação porque "não tem ninguém que acha hoje no Brasil que existe ameaça de inflação".

A lentidão do BC em reduzir o juro deveu-se, segundo o governador, a "insuficiente conhecimento das variáveis econômicas e por modelos inadequados. Não é má-fé nem é problema com as metas de inflação. Ninguém quer errar e sem querer errar acaba errando", frisou, ao afirmar que não tem uma interpretação "maligna" do comportamento do BC.

Serra manifestou também sua preocupação com a volta da política cambial pré-crise em que, segundo ele, a valorização do real frente ao dólar acabou incentivando grandes empresas brasileiras a especular no mercado de câmbio. Com a eclosão da crise e a desvalorização do real, elas tiveram fortes prejuízos.

O mecanismo é chamado pelo governador de "cadeia da felicidade" ou "ciranda cambial".

- Existe a preocupação de volta ao ciclo anterior, de valorização crescente da moeda porque a diferença da remuneração no Brasil com relação ao resto do mundo é abismal - disse.