PIB não deve ser o termômetro da turbulência

Rosana Hessel, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Na opinião dos quatro economistas, a maioria esmagadora da população mundial perdeu com a crise, sobretudo devido ao desemprego crescente.

O trabalhador é quem está pagando o maior preço uma vez que a desigualdade tem se agravado também disse Delfim Netto.

Mundell citou a China como um dos poucos países que ganham com a turbulência, pois mantém um ritmo de crescimento ainda elevado. Mesmo assim, ele fez algumas ressalvas.

Hoje, a China também enfrenta desemprego, desigualdade acrescentou.

Uma das discussões levantadas pelo prêmio Nobel de 2001 foi a defesa de uma nova forma de se calcular o PIB, pois esse não deve ser o único termômetro da evolução da crise. Para ele, outros indicadores, especialmente os sociais, devem ser considerados quando o assunto é investimento.

É preciso incluir indicadores sociais, pois o combate à desigualdade é uma forma de melhorar a economia de um país. Os Estados Unidos, por exemplo, podem investir em presídios e isso tem um reflexo direto no PIB, mas nenhuma vantagem social disse.

Outro consenso dos três economistas americanos durante o fórum de segunda-feira foi o fato de que é preciso uma maior regulamentação do sistema financeiro atual. Prescott ainda decretou a falência de instituições multilaterais, como o Fórum de Estabilidade Financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mundell, inclusive, defendeu algumas medidas para evitar futuras crises, como a criação de um conselho global de consultores de macroeconomia e uma moeda de reserva internacional.

Nessa linha, inclusive, o autor do trabalho que inspirou a criação do euro lembrou ainda a discussão no G-20 (grupo das principais nações desenvolvidas em emergentes) sobre a criação de uma cesta de moedas para as transações internacionais. Nesse caso, destacou ele, além do dólar, do euro, do iene e da libra, seria importante a inclusão do iuane, uma vez que a China não deve ser ignorada nessa discussão .

Durante a apresentação, Mundell fez uma lista dos cinco culpados da crise econômica. Pela ordem: Lewis Ranieri corretor de bonds e citado por Mundell como o pai das hipotecas securitizadas, Alan Greenspan ex-presdiente do Federal Reserve (Banco Central dos EUA) que foi responsável por uma forte redução das taxas de juros e pelo enfraquecimento do dólar, dando origem à bolha imobiliária, e Maurice Hank Greenberg fundador do grupo AIG. Para completar a lista, ele incluiu o atual presidente do Fed, Ben Bernanke, e o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson. Mundell responsabilizou esses dois últimos pela crise ao permitirem a quebra do Lehman Brothers, desencadeando assim o fim da confiança no mercado financeiro.

Eles achavam que uma medida no final de semana não ia ter impacto grande, mas teve acrescentou.

Prescott também enfatizou a questão da quebra de confiança no mercado financeiro como um fator crítico para a atual turbulência nos mercados.

Mas ele admitiu que evita apostar nas bolsas e acaba optando por investimentos conservadores, como a poupança.