Petrobras: petróleo em queda, lucro em baixa

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Prejudicada pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, a Petrobras anunciou segunda-feira um lucro líquido de R$ 5,816 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma queda de 6% em relação ao quarto trimestre de 2008. O preço médio do barril de petróleo tipo Brent caiu 55%, ao passar de US$ 97 no primeiro trimestre de 2008 para US$ 44 nos três primeiros meses deste ano. Com isso, o resultado líquido da empresa foi 20% inferior na comparação anual.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou que a queda ocorreu principalmente por causa da diminuição do preço do petróleo.

Essa queda se deu principalmente por causa da queda do petróleo no mercado internacional, que afetou a nossa exportação justificou Barbassa.

Os investimentos da petroleira estatal alcançaram R$ 14,38 bilhões, o que representa aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. A alta se deveu a uma forte geração de caixa, que atingiu R$ 13,423 bilhões, 46% superior ao primeiro trimestre do ano passado.

No mesmo período, a produção de petróleo e gás no Brasil subiu 7% na comparação anual. Já o valor de mercado cresceu 27,3% no trimestre, ao atingir R$ 285,151 bilhões.

A produção de petróleo e gás natural atingiu 2,261 milhões de barris de óleo equivalente (Boe) por dia, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com Barbassa, a entrada em operação das plataformas P-56, P-51, FPSO Cidade de Niterói contribuíram para o resultado.

A produção exclusiva de petróleo no Brasil alcançou 1,952 milhão de barris por dia. Novamente, um crescimento de 7%. O gás natural chegou a 309 mil barris por dia, uma alta de 2%.

No dia 4 de maio, foi batido o recorde diário de produção de petróleo, com volume de 2,059 milhões de barris. A produção no exterior teve queda de 2% no primeiro trimestre, com 221 mil barris por dia.

Segundo Barbassa, a companhia teve mais uma vez sucesso nos números de sua produção.

Temos mais um trimestre bom de resultados financeiros da Petrobras.

O preço médio de realização de derivados manteve-se estável na moeda nacional. Já em dólares, houve queda de 49%. As refinarias de petróleo do país processaram 1,759 milhão de barris por dia, utilizando 91% da capacidade instalada de refino. Do volume total processado, 80% vieram de campos brasileiros.

Gabrielli nega alterações

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse segunda-feira que é mentirosa a acusação de que a Petrobras teria deixado de recolher R$ 4,3 bilhões em impostos por meio de manobras contábeis.

Gabrielli lembrou que a MP 2.158, de 2001, permitiu que todas as empresas fizessem a mudança do regime de tributação nas operações cambiais. Disse também que uma instrução normativa da Receita regulamenta o assunto.

Houve por parte da Petrobras uma opção contábil, sem danos tributários argumentou Gabrielli. Portanto, é absolutamente mentirosa qualquer insinuação de que haja manipulação, manobra ou artifício contábil. Há apenas um escândalo montado, não sei por qual razão.

Para Gabrielli há muita fumaça e pouca realidade e seriedade nas denúncias. O executivo revelou que, no primeiro trimestre de 2008, a empresa pagou só de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) R$ 1,233 bilhão e em 2009 pagou R$ 1,1 bilhão.