Perfil de exportações só melhora em 2010, diz ministério

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BRASÍLIA - A tendência de participação crescente dos produtos básicos na pauta de exportações brasileiras só deve se reverter a partir do segundo semestre de 2010, avalia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Esse é o tempo estimado para uma retomada da demanda dos Estados Unidos e da Europa - que despencou com o agravamento da crise -, e também para que o Brasil recupere fatias de mercado perdidas para produtos asiáticos na América do Sul.

- Hoje as commodities estão segurando a balança comercial brasileira, mas no médio prazo tem que ter uma estratégia para diversificar isso - afirmou nesta segunda-feira o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

- Isso é reversível, mas é reversível a médio prazo - acrescentou, citando o segundo semestre do próximo ano.

Barral disse não estar ainda preocupado com a recente desvalorização do dólar frente ao real. Desde o início de março, o dólar caiu 15,7% frente à moeda brasileira. Ainda assim, o real perdeu cerca de um terço do seu valor frente a agosto do ano passado. Para o secretário, esse movimento tende a ser temporário.

- Risco de choque no câmbio é a elevação dos preços das commodities, o que não é esperado - afirmou. Ele frisou que um dólar cotado a R$ 2 ou mais garante a competitividade dos produtos brasileiros.

Segundo a última sonodagem do Banco Central, o mercado espera que o dólar feche o ano a R$ 2,20, mas nesta segunda-feira a moeda norte-americana encerrou a R$ 2,059, mesmo depois de o BC ter feito um leilão de compra à vista.

Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações brasileiras de manufaturados despencaram 28,7% frente ao mesmo período de 2008, para US$ 19,6 bilhões. No mesmo período, os embarques de produtos básicos registraram valor recorde de US$ 17,2 bilhões, com alta de 8,7%.

Com isso, a participação dos produtos básicou na pauta de exportações do Brasil cresceu para 39,6% no quadrimestre, frente a 30,4% no mesmo período de 2008. Já a participação de industrializados caiu para 58,2%, contra 66,8%.

Esse desempenho acompanhou um crescimento da participação das vendas para a Ásia, principalmente para a China, que superou pela primeira vez os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil.

As exportações brasileiras para a China saltaram 66,7% no quadrimestre, por conta de minério de ferro, soja em grão, celulose e siderúrgicos. Já para o Mercosul, Estados Unidos e América Latina e Caribe - tradicionais consumidores de manufaturados brasileiros - as vendas caíram respectivamente 39,4%, 34,5% e 28%.

Barral aposta que grande parte da recuperação das vendas de manufaturados se dará com o arrefecimento da crise, aguardado para a segunda metade do próximo ano.

Enquanto isso não ocorre, o Brasil trabalha em uma ofensiva para criar oportunidades de negócios em países vizinhos onde o empresariado brasileiro ainda não tem grande presença, ou perdeu espaço recentemente para importações asiáticas.

Entre as prioridades estão Peru e Colômbia, com quem o Brasil promove reuniões bilaterais e missões empresariais.

- Temos que aumentar as ofensivas nos países latino-americanos para manter mercados - afirmou Barral.

Em outra frente, o Brasil também tenta diversificar e ampliar a pauta de exportações de maior valor agregado para a Ásia, em particular para a China.

Ele citou, como exemplo, que o Brasil quer passar a exportar mais derivados de soja, como óleo e farelo, e não apenas a commodity em grão, como ocorre atualmente.

Outra aposta é o mercado de aviões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao país asiático nos próximos dias, fará promoção dos modelos da Embraer .

- Precisamos ter mais audácia na China - disse Barral, cobrando uma maior presença dos empresários brasileiros no país asiático para abrir e manter mercados.

Além do aumento das vendas das commodities, o saldo comercial brasileiro tem sido favoravelmente afetado por uma queda forte das importações em meio à desaceleração da demanda e de um dólar mais caro.

Nos primeiros quatro meses do ano, o saldo comercial somou US$ 6,7 bilhões, alta de quase 50% frente ao mesmo período de 2008. As exportações totais caíram 16,5% no período, enquanto as importações sofreram queda de 22,8%.