Lucro da Usiminas deve despencar no 1º trimestre

REUTERS

SÃO PAULO - Após a Gerdau ter divulgado uma queda de quase 97% no lucro líquido do primeiro trimestre, a Usiminas deve seguir trilha semelhante esta semana, apresentando forte redução na última linha do resultado, segundo estimativas de analistas.

Em um semestre marcado por acentuada queda na demanda e nos preços do aço, a Usiminas deve anunciar na quarta-feira queda de 62% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo média de cinco previsões de analistas consultados pela Reuters.

A companhia, que tem entre seus principais sócios o segundo maior grupo siderúrgico do mundo, a Nippon Steel, teve lucro líquido R$ 646 milhões nos primeiros três meses de 2008, quando teve de paralisar equipamentos da importante usina de Cubatão (SP). Já para o mesmo período deste ano, a previsão média dos analistas consultados é de ganho de R$ 243,8 milhões. No quarto trimestre, a companhia teve lucro líquido de R$ 837 milhões.

As estimativas dos analistas para o resultado do primeiro trimestre variaram de lucro de R$ 91 milhões a ganhos de R$ 397 milhões.

A Usiminas deve apresentar queda de cerca de 40% no volume de vendas, "em função da redução no volume de compras do setor automobilístico, que deu preferência à redução de estoques durante o período", afirma a Fator Corretora em relatório, acrescentando expectativa de queda de preços tanto no Brasil quanto no exterior.

Ainda segundo a média de projeções, a geração de caixa da companhia medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) deve cair pela metade, passando de R$ 1,254 bilhão no primeiro trimestre do ano passado para R$ 610 milhões nos três meses encerrados em março. Já a expectativa para a margem é de recuo de 35,3% para 24,06%.

Para a Brascan Corretora, a operação da Usiminas deve sofrer ainda com a paralisação de três dos cinco alto fornos da empresa diante da falta de demanda.

- Estes continuam gerando custos para a empresa sem que haja uma contrapartida na receita - pondera a corretora em relatório.

- A compra de matérias-primas a preços anteriormente contratados, antes da queda generalizada das commodities a partir do final do ano passado, deve influenciar de forma negativa o resultado operacional da Usiminas - segundo a Brascan.

O presidente-executivo da companhia, Marco Antônio Castello Branco, afirmou em meados de março que espera uma recuperação na demanda por aço apenas a partir do último trimestre deste ano, ante uma expectativa anterior de uma retomada já neste segundo trimestre.

Com isso, a previsão para a produção no ano seria de queda de 12,5%, para 7 milhões de t de aço bruto.