Mercado futuro fecha com taxas menores no curto prazo

SÃO PAULO, 8 de maio de 2009 - As projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram queda no curto e médio prazos, no entanto, no longo prazo as taxas apontaram alta. O DI com vencimento em janeiro de 2010 o mais negociado com 193,4 mil transações efetuadas e giro de R$ 18,2 bilhões, apontou taxa anual de 9,48%, ante 9,56% do ajuste da véspera. Já o contrato de DI com resgate em janeiro de 2012 projetou juro anual de 11,15%, contra 11,04% do ajuste anterior.

Segundo um operador de renda fixa, a curva de juros futuro mais curta já está bem precificada em relação a novas reduções na taxa Selic, atualmente em 10,25% ao ano. Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do próximo mês as apostas se concentram em corte entre 0,50 e 0,75 ponto percentual.

Hoje os agentes financeiros monitoraram o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - índice de inflação oficial - que apontou variação positiva de 0,48% em abril, dentro das expectativas dos analistas, mais perto do teto.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados nesta tarde revelam que as montadoras instaladas no país terminaram abril deste ano com a produção total de 254.732 veículos, com queda de 6,9% perante 273.498 unidades fabricadas em março.

Bruno Lembi, sócio da M2 Investimentos, ressalta que diante de um cenário onde a inflação segue comportada e apesar dos sinais de discreta melhora na atividade econômica o colegiado do Banco Central (BC) deve promover mais dois cortes na taxa Selic e dar uma pausa no processo de flexibilização dos juros para analisar os efeitos da redução da Selic na economia real.

O especialista comenta que para 2010 ganha força a perspectiva de que a atividade irá melhorar e com isso as atenções devem se voltar para a inflação decorrente da preocupação com a demanda. "A curva de juros mais longa já se ajusta para um cenário de possível elevação dos juros no próximo ano", completa.

Economistas lembram que no Brasil, as ações do governo, embora localizadas e temporárias (diminuição de impostos) e a substancial redução das taxas líquidas de juro, resultante da queda da taxa básica pelo BC, começam a estimular a demanda de consumo.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)