Dólar renova mínima e chama compras do BC

SÃO PAULO, 8 de maio de 2009 - O resultado dos testes de estresse com os 19 bancos norte-americanos colocou fim ao clima de incerteza que pairava no ar nas últimas semanas, devolvendo aos mercados transparência e conforto. Essa maior confiança no setor bancário, associada ao sentimento de acomodação da crise nos EUA e a recuperação da atividade na China trouxeram euforia aos players. Os principais índices acionários acumularam ganhos, enquanto que o dólar renovou a mínima em mais de seis meses frente ao real, o que chamou a atenções do Banco Central (BC). No fim do dia, a moeda estrangeira caiu 1,80%, para R$ 2,071 na venda.

Depois de promover leilão de swap cambial reverso na terça-feira, a autoridade monetária realizou nesta sexta compra de dólares no mercado à vista, com o objetivo de enxugar a liquidez. Os recursos adquiridos neste leilão irão somar-se aos US$ 201,4 bilhões das reservas internacionais.

Nos EUA, os testes dos bancos funcionaram com um circuit breaker contra o pânico que havia afetado o sistema financeiro, comentou um operador. Segundo as simulações, dez bancos dos EUA precisam levantar US$ 74,6 bilhões adicionais para se protegerem do atual cenário econômico, mas não correm risco de insolvência.

Os agentes também repercutiram o relatório de emprego dos EUA. Segundo departamento de trabalho, a economia eliminou 539 mil vagas em abril, elevando a taxa de desocupação para 8,9%. Apesar de ruim, o número veio melhor do que o esperado, reafirmando os sinais de abrandamento da recessão e que o "fundo do poço" pode estar realmente próximo.

Para a consultoria LCA, é remota a chance de reversão, no curto prazo, da tendência de deterioração do mercado de trabalho norte-americano, uma vez que a elevada ociosidade de recursos produtivos deverá manter o investimento travado ainda por vários trimestres. "Números positivos na geração de empregos só deverão ser vistos, na melhor das hipóteses, no 1º trimestre de 2010. Até lá, a taxa de desemprego já deverá ter superado 10%", observa em relatório. "Por isso, muita cautela nesta hora de euforia. Ainda falta, e muito, para melhorar", finaliza.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)