Brasil libera US$ 1,5 bi para Argentina reforçar suas reservas

Agência ANSA

BRASÍLIA - O governo do Brasil colocou à disposição da Argentina uma linha de financiamento de US$ 1,5 bilhão, valor que será repassado sob o regime de swap, ou seja, convertido em moeda local.

O acordo foi firmado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seu homólogo argentino, Carlos Fernández, que participaram hoje de uma reunião realizada em Buenos Aires para discutir a criação do Banco do Sul.

A liberação dos recursos se dará por meio da ampliação dos limites definidos pelo Convênio de Crédito Recíproco (CCR) para transações entre Brasil e Argentina. Antes, o valor fixado era de US$ 120 milhões.

O CCR é um mecanismo de compensação de pagamentos em moedas locais usado pelos 12 países que fazem parte da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

A ideia da Argentina é usar o financiamento para reforçar o nível de suas reservas internacionais. Desde o calote decretado em 2001, no auge da crise política e econômica vivida naquele ano e no seguinte, o país tem dificuldade para obter crédito no exterior.

Outro fator que complica a situação financeira da Argentina é o descompasso registrado entre os índices oficiais divulgados pelo governo e outros compilados por entidades privadas.

- É um mecanismo de precaução para reforçar as reservas. Esperamos que esteja disponível o quanto antes - disse o ministro Fernández, em declarações citadas pela agência estatal de notícias argentina, a Telam.

Segundo informações do jornal Clarín, o financiamento terá duração de três anos e é similar a um acordo que a Argentina assinou recentemente com a China, mediante o qual o dinheiro concedido não precisa ser necessariamente usado para adquirir bens ou serviços do país que o emprestou - ou seja, sua aplicação é livre.

As bases para a liberação do crédito foram discutidas pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner durante a visita que o brasileiro fez a Buenos Aires no mês de abril.