BC compra dólar, mas moeda cai ao menor nível em 7 meses

REUTERS

SÃO PAULO - O dólar cravou a terceira queda seguida ante o real nesta sexta-feira, fechando no menor patamar em sete meses, por conta de uma forte entrada de recursos no mercado doméstico e do bom humor externo.

Um leilão de compra de dólares no mercado à vista realizado pelo Banco Central chegou a amortecer levemente a queda, mas não foi suficiente para contê-la. O dólar fechou em baixa de 1,8 por cento, a 2,071 reais, menor nível desde 3 de outubro do ano passado.

O BC anunciou o leilão de compra quando a moeda norte-americana caiu para 2,069 reais. Foi o primeiro leilão desse tipo desde 10 de setembro de 2008.

- A desvalorização do dólar está acontecendo de maneira muito rápida. Essa atitude do BC em voltar ao mercado para comprar (dólar) é porque ele está vendo que a liquidez está excessiva - avaliou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio.

O gerente lembrou que o Banco Central realizou um leilão de swap reverso em 5 de maio e que, 'caso se mantenham as condições atuais e o otimismo, fatalmente vamos ver um fluxo de dólar maior' ajudando na valorização do real.

O dólar no mercado doméstico refletiu ainda um movimento global de desvalorização. Frente a uma cesta com as principais moedas mundiais, a moeda norte-americana caía por volta de 1,6 por cento no fim da tarde.

No âmbito externo, as bolsas de valores dos Estados Unidos subiam no momento em que o câmbio doméstico encerrou seus negócios, à medida que os resultados dos testes de estresse acrescentavam otimismo às ações financeiras.

Boas notícias também vinham do setor trabalhista, cujos dados mostraram que em abril os cortes de empregos foram menores que o esperado.

No Brasil, a Bovespa operava em linha com Wall Street e avançava perto de 2 por cento.

No mercado de câmbio doméstico, de acordo com os últimos dados disponibilizados pela BM&F, o volume de dólar negociado no segmento à vista girava em torno de 2,4 bilhões de dólares.