Uruguai: Partidos preveem '2010 complicado' para a economia do país

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - Especialistas vinculados aos três principais partidos políticos do Uruguai participaram de um debate sobre as perspectivas para a economia do país e coincidiram ao prever um período de dificuldades para o próximo ano.

José Manuel Quijano, ligado à coalizão governista Frente Ampla, Luis Mosca, do Partido Colorado, e Javier de Haedo, que trabalha junto ao Partido Nacional, foram convidados pela Fundação Wilson Ferreira Aldunate para um debate com vistas às eleições presidenciais marcadas para 25 de outubro.

Os três previram "um ano complicado" para o Uruguai em 2010, início do mandato do novo presidente, que substituirá Tabaré Vázquez. Entre os motivos apontados como complicadores estão a crise econômica internacional, o déficit fiscal e até uma crise política na Argentina.

"O que vem é preocupante", disse Quijano, um dos assessores do senador José Mujica, pré-candidato à presidência pela Frente Ampla.

Já Mosca, que foi ministro da Economia durante o segundo mandato do ex-presidente Julio María Sanguinetti (1995-2000), previu uma lenta e gradual superação da crise, mas chamou a atenção para o déficit fiscal que pode prejudicar a próxima administração.

De Haedo, por sua vez, que apoia o senador Jorge Larrañaga, pré-candidato pelo Partido Nacional, sustentou que o Uruguai já vive uma recessão e indicou possíveis problemas que poderiam complicar ainda mais o futuro governo.

"Uma crise política no governo da [presidente argentina] Cristina Kirchner pode detonar uma bomba relógio, com um forte impacto na estabilidade econômica [do Uruguai]", afirmou.

Ele destacou o fato de que as eleições legislativas na Argentina serão realizadas no mesmo dia da sucessão presidencial uruguaia.

De acordo com as últimas pesquisas publicadas, a Frente Ampla mantém a dianteira na corrida pela presidência, com 45% dos votos. Além de Mujica, são pré-candidatos da coalizão o senador e ex-ministro da Economia Danilo Astori e o prefeito do departamento (estado) de Canelones, Marcos Carámbula.

Em segundo lugar vem o Partido Nacional, com 35%. Bem atrás, o Partido Colorado, que tem 7%.