Reflexo negativo no PIB aparece até 1º trimestre

SÃO PAULO, 5 de maio de 2009 - O tombo da indústria nacional no primeiro trimestre deste ano (14,7%) deve provocar uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros meses de 2009, o que caracteriza recessão técnica no Brasil, avalia José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. "Porém, o crescimento mensal da média móvel trimestral do índice dessazonalizado, entretanto, já se encontra em terreno positivo em março, indicando que a contração no PIB industrial não deve se estender até o segundo trimestre", disse.

O IBGE informou hoje que a produção industrial caiu 14,7% entre janeiro e março (com ajuste) em relação ao mesmo período de 2008. Já em relação ao quarto trimestre de 2008, a produção caiu 7,9% - o segundo trimestre consecutivo de queda, acumulando uma perda de 16,7% em seis meses. "Ainda que reduzindo a velocidade de sua queda, o setor industrial voltou a operar em patamar muito próximo ao do segundo trimestre de 2004", destaca o IBGE.

Entre as categorias de uso, bens de consumo duráveis foi a única que reverteu o sinal negativo do quarto trimestre de 2008 (-24,8%), fechando o primeiro trimestre do ano com avanço de 0,7%, beneficiando-se, principalmente, da recuperação das vendas domésticas de automóveis. O setor de bens de capital acentua a queda, ao registrar -19,3% no trimestre janeiro-março, frente aos - 9,4% do período anterior, refletindo a retração generalizada nos seus subsetores.

Para Gonçalves, a produção de bens de consumo duráveis pode voltar engatar um crescimento ao longo dos próximos meses, devido aos efeitos da a isenção de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre linha branca. "O arrefecimento do crescimento nos outros setores, num patamar que já é baixo, é um tanto preocupante, assim como a contínua contração no setor de bens de capital", analisa.

Segundo ele, o crescimento da produção industrial vem se fazendo em 2009 a partir da grande capacidade instalada não utilizada, o que garante que ele ocorra sem pressões sobre a inflação. "No entanto, essa situação não pode se estender indefinidamente", acredita o economista.

Ontem, o Banco Central (BC) apresentou a sondagem que realiza semanalmente com as principais instituições financeiras do País, revelando que o mercado melhorou sua previsão para o PIB neste ano, mas ainda aposta em uma retração (de -0,39% para -0,30%). Por outro lado, a estimativa para inflação se manteve em 4,3% em 2009.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)