ONS aciona térmica para minimizar estiagem no Sul

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RIO DE JANEIRO - O Operador Nacional do Sistema (ONS) vai acionar a partir desta quarta-feira a segunda unidade da térmica de Araucária, no Paraná, e elevar o intercâmbio de energia com o Sul do País para minimizar o impacto da estiagem na região e evitar uma redução mais forte nos reservatórios das hidrelétricas da região, informou o diretor-geral do órgão, Hermes Chipp.

A segunda unidade da térmica de Araucária vai agregar ao sistema da região Sul mais 230 megawatts por dia.

O ONS pretende fazer ajustes técnico-operacionais para elevar o envio de energia do sistema Sudeste/Centro-Oeste para o Sul de 5.300 para 5.500 megawatts.

- A meta dos reservatórios do Sul do Brasil é não ficar abaixo de 40% da capacidade. Para manter os reservatórios em 40% com a afluência que está lá, é preciso elevar o intercâmbio de energia e acionar a segunda máquina de Araucária - disse Chipp.

De acordo com o ONS, o nível de chuva no Sul do País é o pior em 77 anos e chega a apenas 17% da média histórica.

A demanda média da região Sul é de 8.200 megawatts/dia, sendo que o intercâmbio com o Sudeste normalmente cobre a necessidade em 5.300 megawatts.

Outros 1 mil megawatts vêm da geração térmica a carvão e 230 megawatts são provenientes da geração da primeira térmica de Araucária.

O déficit de 1.700 megawatts para atender à demanda do Sul é coberto por 1.200 megawatts gerados por hídricas da região. O saldo final de 500 megawwatts será atendido pelo aumento do intercâmbio e pela entrada da segunda unidade de Araucária.

Menos gatos

Chipp, ainda assim, prevê um menor despacho de térmicas neste ano em relação a 2008. Segundo ele, o impacto da crise mundial sobre a economia brasileira, a temperatura mais baixa e abundância de chuvas no país vão diminuir a necessidade das térmicas este ano.

O gasto estimado com a entrada de térmicas complementares ao sistema é de no máximo R$ 800 milhões, contra uma despesa de R$ 2 bilhões em 2008.

- Essa á uma estimativa conservadora. Será no máximo de R$ 800 milhões. As térmicas que vão entrar mais tarde no sistema não são a óleo (mais caras e poluidoras que as movidas à gás) - disse ele.

Com exceção do Sul, onde os reservatórios estão em 38% da capacidade, no Norte e no Nordeste eles estão com reservas máximas de água, e, no Sudeste atingem 84%.

O ONS revisou para baixo as projeções para a carga total movimentada pelo sistema em 2009 para 53 mil megawatts médios. A previsão anterior era de 55 mil megawatts médios.

A projeção para 2013 também encolheu de 67 mil para 65 mil megawatts médios.

- O risco de ter problema diminuiu. Aumenta a segurança do sistema em que pese o impacto negativo da crise sobre a economia - avaliou Chipp.

Uruguai

O presidente do ONS revelou que o Brasil está exportando para o Uruguai cerca de 150 megawatts médios de energia para atender ao déficit no país vizinho.

A exportação começou há um mês, mas no ano passado o Brasil chegou a enviar ao país vizinho 500 megawatts médios.

A energia enviada ao Uruguai é produzida pela térmica a gás de Canoas, mas com a entrada em operação da segunda unidade de Araucária o gás será redirecionado para essa unidade.

A térmica de Canoas passará a operar com óleo combustível, segundo o ONS.

- É uma energia mais cara, mas faz parte do jogo. Precisamos do gás - disse Chipp.

O consumo no Uruguai é de 1.400 megawatts por dia de energia, de acordo com o ONS.

O Brasil deve "emprestar" ainda esse ano para a Argentina, mas os volumes ainda não foram definidos.

- Está previsto um novo envio este ano, mas o volume vai depender da hidrologia de lá - afirmou Chipp.