Odebrecht rejeita ação e acusa Equador de violar direitos

REUTERS

BRASÍLIA - A empresa brasileira Odebrecht, expulsa do Equador em setembro de 2008, acusou nesta terça-feira o Estado equatoriano de violar seus direitos como investidor estrangeiro, ao rejeitar uma queixa apresentada contra ela pelos danos em uma hidrelétrica.

A estatal Hidropastaza "violou os direitos da Odebrecht, um investidor estrangeiro que faz importantes contribuições para o desenvolvimento econômico e social do Equador há 23 anos", indicou a empresa brasileira em um comunicado.

A construtora reagiu depois que a Hidropastaza apresentou uma queixa contra a empresa brasileira no Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio da cidade andina de Ambato (sul), exigindo uma indenização de US$ 250 milhões.

A empresa é responsabilizada pelos danos que interromperam o funcionamento da hidrelétrica San Francisco apenas um ano depois da entrega da obra, segundo a estatal equatoriana.

A Odebrecht afirmou que "defenderá seus direitos e sua reputação ante (a) queixa" e indicou que ainda não foi notificada dessa medida.

Acrescentou que esta "é a última de uma série de medidas injustificadas adotadas pela Hidropastaza", que "reconheceu formalmente que a central foi totalmente concluída".

Em abril, o presidente equatoriano, Rafael Correa, considerou que as relações com o Brasil não serão afetadas pela ação milionária contra a Odebrecht.

- Não têm por que se abalar - disse.

Depois de expulsar a Odebrecht, Quito impugnou na Câmara de Comércio Internacional (CCI) de Paris um crédito do banco brasileiro BNDES de US$ 243 milhões, o que suscitou a reação de Brasília, que chamou seu embaixador para consultas entre novembro e janeiro.

O empréstimo foi destinado à construção de San Francisco, na Amazônia equatoriana por parte da Odebrecht.