Curva continua em ritmo de ajuste na BM&FBovespa

SÃO PAULO, 4 de maio de 2009 - As projeções para as taxas de juros apontaram leve alta na maioria dos vencimentos na BM&FBovespa. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010, o mais líquido, indicou juro de 9,73%, ante 9,71% do ajuste de quinta-feira. Esse vencimento contabilizou 144,5 mil contratos fechados, com giro financeiro de referência de R$ 13,5 bilhões.

Para o gerente de operações da Um Investimentos, Rodrigo Cunha da Silveira, o movimento na curva de juros é atribuído à melhora na expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano que mostrou um sinal de recuperação no Boletim Focus divulgado hoje. "A possível recuperação na atividade diminui a necessidade de cortes mais agressivos na Selic e por isso a curva de juros fica volátil", ressalta Silveira.

De acordo com o Boletim Focus, a estimativa de retração da atividade econômica brasileira passou de 0,39% para 0,3%. Para 2010, os analistas consultados apostam em um crescimento de 3,5% - a taxa é a mesma há nove semanas.

A sondagem do Banco Central mostrou ainda que os agentes elevaram a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2010, de 4,30% para 4,32%. Já a estimativa para juros continua a mesma. Os analistas acreditam que a taxa básica de juros (Selic) vai terminar este ano em 9,25%. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, cortar a taxa em 1 ponto percentual (11,25% para 10,25%).

Os agentes financeiros além de repercutirem o Boletim Focus também acompanharam os dados positivos vindos da China. O índice CLSA China Manufacturing PMI mostrou que o setor manufatureiro cresceu pela primeira vez em nove meses, quando a leitura passou dos 44,8 pontos em março, para 50,1 pontos em abril.

Para os próximos dias as atenções estarão voltadas para dados da produção industrial, inflação e ata do Copom que, de todo modo, poderá fornecer indícios dos passos seguintes da política monetária que estarão muito condicionados à evolução dos indicadores econômicos até a reunião de 10 de junho.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)