Chanceler paraguaio pede igualdade em negociações de Itaipu

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ASSUNÇÃO - O chanceler do Paraguai, Hector Lacognata, disse na segunda-feira que o Brasil deve abandonar sua postura paternalista e negociar em pé de igualdade o preço da energia vendida pela hidrelétrica binacional de Itaipu.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, viaja no dia 7 a Brasília para conversar com seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, como parte de uma complexa negociação que ameaça turvar as relações entre os dois países.

Assunção busca renegociar o tratado de fundação de Itaipu para estabelecer um melhor preço da energia excedente que o Paraguai vende ao Brasil e para ter a possibilidade de vender a eletricidade de lá a outros países, o que atualmente é proibido.

Pouco depois de prestar juramento como ministro, Lacognata, médico com pouca experiência no mundo diplomático, disse que as relações entre Brasília e Assunção precisam ser dar num contexto de igualdade.

- O eixo central continua sendo a livre disponibilidade da nossa energia. Parece que nossa voz não chega claramente ou não há intenções de entender pelo lado brasileiro que o problema de Itaipu não é um problema econômico ou monetário, e sim um problema de soberania - disse o chanceler.

- O documento que recebemos do Brasil tinha até, poderíamos dizer, uma perspectiva bastante paternalista das relações entre Brasil e Paraguai - afirmou ele a jornalistas, referindo-se à última proposta do Brasil sobre Itaipu.

O Brasil havia proposto um adiamento no pagamento de uma dívida de cerca de US$ 19 bilhões de Itaipu com a estatal Eletrobrás, ainda relativa à construção da represa. O Paraguai defende uma revisão da dívida, para que ambos os países recebam mais royalties pela energia.

O Paraguai rejeita a proposta brasileira, mas se mostra aberto a uma nova a ser apresentada por Lula nesta semana antes do encontro com Lugo, disse o negociador paraguaio Ricardo Canese.

- Deixamos bem claro que nosso relacionamento com o mundo em geral e com o Brasil em particular está em um novo tempo, onde assumimos que essas relações devem se dar em um contexto de igualdade e soberania dos Estados - disse Lacognata.