Bradesco revela securitização de carteira imobiliária

SÃO PAULO, 4 de maio de 2009 - O Banco Bradesco registrou uma queda de 8,7% na carteira de crédito imobiliário para pessoa física no primeiro trimestre. Em março o financiamento de imóveis somava R$ 2,268 milhões. Segundo Milton Vargas, vice-presidente do Bradesco, a redução da carteira se deve a uma operação de securitização da carteira. "A gente tem liquidez, limite para operar e muita disposição para atender nossos clientes", disse.

A carteira de crédito total para pessoa física (veículos - CDC, leasing, cartão de crédito, crédito pessoal, consignado e rural, repasse finame, financiamento imobiliário, cheque especial, avais e outros) encolheu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, totalizando R$ 73,6 milhões.

Já a carteira para pessoa jurídica retraiu 0,6%, puxado pelo crédito às grandes empresas (-1,7%), já que os empréstimos para pequenas e médias empresas cresceu 0,9%. "Temos o maior interesse em atender todas as empresas que procuram o banco, mas o que ocorreu foi uma queda da demanda", explica Vargas.

Segundo ele, o setor bancário espera uma queda da taxa básica de juros (Selic) de forma sustentável. "Assim, as empresas e famílias vão em busca de crédito e a inadimplência diminuirá. Temos interesse de operar com taxas baixas. Mas há uma dificuldade em operar com alta nível de inadimplência", afirma.

Vargas revela que o índice de inadimplência na carteira do banco alcançou 4,3%, sendo que para pessoa física a taxa foi de 7,6%, grandes empresas chegou a 0,8% e MPEs apontou alta de 3,6% no primeiro trimestre. Porém, há uma expectativa que o índice de inadimplência atinja um pico de 4,9% até agosto (vencidos há menos de 90 dias), mas depois comece a cair. "Sem dúvida os efeitos da crise e a queda da renda por conta das demissões são os principais responsáveis pelo atraso nos pagamentos, mas nós já vinhamos prevendo que haveria uma dificuldade em manter as contas em dia no início deste ano", disse.

Ele acredita que o estoque de crédito deve melhora a partir do quarto trimestre que é quando o índice de inadimplência cairá também. "Dentro do momento que vivemos é um processo normal, mas que a gente espera que termine logo", conclui.

O Bradesco anunciou hoje que registrou lucro líquido de R$ 1,723 bilhão no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)