Brasil oferece retorno mais rápido entre os Brics

Rita Karam, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - O Brasil oferece a possibilidade de retorno a mais curto prazo entre os países destacados como os de maior potencial de crescimento que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Entretanto, o gigante mercado chinês atrai mais investimentos, ainda que com retorno mais demorado, principalmente devido ao tamanho da população mais de 1 bilhão de habitantes. Outro dado no qual o mercado chinês também leva vantagem em relação ao brasileiro é o peso da carga tributária.

Estes são alguns dos motivos pelos quais o Brasil e a China se distanciaram em valor de investimentos estrangeiros recebidos nos últimos anos na avaliação de Fabrizio Broggini, diretor da consultoria Broggini do Brasil, que representa na América Latina a Ambrosetti, empresa italiana com atuação em 11 países que dá suporte à processos de internacionalização de companhias.

Há 10 anos, de acordo com Broggini, a média de investimentos externos recebidos por Brasil e China era mais próxima, na casa dos US$ 30 bilhões. No ano passado, o Brasil ficou com cerca de US$ 45 bilhões, enquanto que a China recebeu em torno de US$ 90 bilhões.

Melhor percepção

Apesar disso, e da alta carga tributária chega a 30,8% no país, ante 3,3% nos EUA, 9,15% na China e 10,5% na Rússia, segundo o empresário , a percepção que os investidores estrangeiros têm do Brasil melhorou.

O país conseguiu transmitir segurança no cenário macroeconômico e político, os fundamentos da macroeconomia melhoraram muito. A maior inimiga brasileira era a inflação, agora está mais fácil fazer cálculos afirma o executivo. O consumidor brasileiro também já sabe quanto vale um produto e não aceita mais gastar demais.

De acordo com Broggini, entre os principais interessados estrangeiros em ganhar participação no Brasil estão fabricantes de produtos de consumo que visam principalmente as classes C e D.

Principalmente os investidores chineses estão aumentando o interesse pelo Brasil em diferentes áreas, como autopeças, motopeças, químicos, têxtil, vidro e material de construção.

Atração de investimentos

No sentido inverso, o Brasil também tem conquistado mercado na China. Dois exemplos são roupas infantis e lingeries, segmentos nos quais Broggini identifica ainda muitas oportunidades para o país.