Atenções se voltam para decisão do Copom

SÃO PAULO, 30 de abril de 2009 - Os investidores devem repercutir, nesta quinta-feira, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros brasileira. Além disso, as atenções estão voltadas para uma possível entrevista do presidente Barack Obama comentando sobre a situação da montadora Chrysler. De acordo com a imprensa internacional, fracassaram na noite de ontem as conversações entre o Tesouro e os credores da Chrysler, ampliando as chances de uma concordata da empresa.

Apesar da crise nas montadoras, o mercado em parte deixa de lado esta notícia e foca na recuperação da economia global, ampliando a confiança e elevando o bom humor. Com isso, instantes atrás, o Ibovespa com vencimento em junho registrava valorização de 1,35%, aos 48.500, nas negociações futuras da BM&FBovespa.

"Ontem, cercada por referências econômicas de peso, a sessão foi de expressivos ganhos para os mercados. Contagiados pelo tom otimista do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e por resultados corporativos favoráveis, os índices de Wall Street parecem ter ignorado a queda maior do que a prevista na economia dos EUA", segundo relatório da Coinvalores.

Na noite de ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a aposta majoritária do mercado e reduziu a taxa Selic em 1 ponto percentual (p.p) para 10,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O comunicado emitido após a reunião foi breve, não dando nenhuma indicação para os próximos movimentos: "Avaliando o cenário macroeconômico e visando ampliar o processo de distensão monetária, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés, por unanimidade", segundo nota do Banco Central (BC).

"A nosso ver, este era o tamanho de queda mais apropriado neste momento, levando-se em conta a magnitude e a rapidez do ajuste na taxa básica de juros já implementados e seus efeitos cumulativos e defasados ao longo tempo. Um corte menor do que na reunião de março também se justificava diante dos primeiros sinais de recuperação da demanda doméstica, que tem respondido bem aos diversos estímulos oferecidos e, portanto, demonstrado maior resiliência perante a crise externa", segundo Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores.

Para ele, neste aspecto, destaque-se a avaliação geral de que o Brasil é um país que, uma vez passado o pior momento da crise financeira internacional, reúne as condições para uma retomada da atividade econômica mais rápida e pronunciada do que a média dos demais países.

(Vanessa Correia - InvestNews)