Queda é apropriada para o momento, diz Teles

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - O economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles informou em nota que o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a aposta majoritária do mercado e reduziu a taxa Selic em 1 ponto percentual para 10,25% ao ano, sem viés, por unanimidade.

Segundo o economista, o comunicado emitido após a reunião foi breve, não dando nenhuma indicação para os próximos movimentos.

"A nosso ver, este era o tamanho de queda mais apropriado neste momento, levando-se em conta a magnitude e a rapidez do ajuste na taxa básica de juros já implementados (dois cortes desde o início do processo, totalizando 2,5 pontos percentuais) e seus efeitos cumulativos e defasados ao longo tempo", disse.

Argumentou ainda que um corte menor do que na reunião de março também se justificava diante dos primeiros sinais de recuperação da demanda doméstica, que tem respondido bem aos diversos estímulos oferecidos e, portanto, demonstrado maior resistiência perante a crise externa. Neste aspecto, destaque-se a avaliação geral de que o Brasil é um país que, uma vez passado o pior momento da crise financeira internacional, reúne as condições para uma retomada da atividade econômica mais rápida e pronunciada do que a média dos demais países.

Segundo Teles, outra questão que deve ter sido novamente considerada pelo Copom, na definição do espaço para flexibilização adicional na taxa básica de juros, e que também reforçaria um corte menor na taxa Selic do que o realizado na reunião passada, refere-se a aspectos do arcabouço institucional do sistema financeiro nacional que subsistiram ao longo do período de inflação elevada, mais precisamente a regra vigente de rentabilidade da caderneta de poupança.

Por outro lado, segundo o economista, a evolução favorável do cenário prospectivo para a inflação, com manutenção das projeções de inflação do Banco Central abaixo do centro da meta para os anos de 2009 e 2010, justificava um novo corte na taxa Selic na proporção esperada pelo mercado. Destaque-se que a taxa de câmbio apresentou apreciação, recuando para a casa dos R$ 2,20/US$, ante R$ 2,35/US$ na véspera da reunião de março do Copom. Da mesma forma, as expectativas de inflação seguiram sua trajetória de queda, em que pese uma ligeira alta das previsões para este ano na margem. Desde a reunião passada, as expectativas de inflação para 2009 recuaram de 4,57% para 4,30% e, para 2010, de 4,50% para 4,30%, ambas, portanto, já se posicionando abaixo do centro da meta.

"A nosso ver, a manutenção deste cenário benigno para a inflação até a próxima reunião do Copom em junho, deve permitir novo corte na taxa básica de juros. Trabalhamos, a princípio, com uma redução de 0,5 ponto percentual nessa ocasião, o que já levaria a taxa Selic para o patamar de um dígito pela primeira vez na história", comentou o especialista em nota.

(Redação - InvestNews)