Produção do pré-sal começa sexta-feira

Sabrina Lorenzi, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Quando a Petrobras realizou descobertas a 6 mil metros abaixo da superfície, mudou o modelo de exploração no Brasil nos campos político e tecnológico. Neste ano, as empresas do setor comunicaram à Agência Nacional do Petróleo (ANP) 58 perfurações com mais de 4 mil metros de profundidade. Nem todas miram o pré-sal, mas a estratégia de aproveitar as sondas para tentar a sorte grande abaixo da camada de sal é óbvia para a maioria delas, segundo geólogos e executivos consultados por este jornal. O campo de Tupi, que começa a produzir óleo sexta-feira, também promete transformar as técnicas de produção.

Tecnologia aprovada

A tecnologia para explorar petróleo em profundidade de 5 mil a 7 mil metros vai da extinção de gasodutos à reinjeção de gás carbônico nos poços. No dia primeiro de maio, começa o Teste de Longa Duração (TLD) de Tupi, campo originário da segunda descoberta de óleo no pré-sal. A primeira aconteceu em junho de 2005, no bloco batizado de Parati.

A plataforma de produção de Tupi está ancorada a cerca de 290 km da costa, em frente ao município do Rio de Janeiro. O primeiro poço vai produzir por seis meses. O segundo poço de Tupi fará o mesmo em igual prazo. E mais três meses estão previstos para outros testes. A capacidade de produção será de 30 mil barris/dia.

Avaliações

Um dos maiores objetivos da Petrobras é avaliar o potencial de produção e a velocidade de extração do petróleo. Dessa análise dependem decisões importantes, como o posicionamento dos poços (se serão verticais, horizontais ou desviados). A pressão 400 vezes maior que a normal é o maior desafio do pré-sal, para o professor Oscar Rosa Mattos, coordenador do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC). O laboratório vai desenvolver materiais resistentes às condições adversas. Será um marco para as técnicas de desenvolvimento e produção que servirão como base para vários outros campos descobertos no pré-sal.

A Petrobras e a americana Exxon Mobil, com outras empresas parceiras tais como BG, Galp, Hess, dependem dessas informações para desenvolver as áreas que já possuem: onze descobertas no cluster de Santos. Parati (BM-S-10); Tupi e Iara (BM-S11); Carioca, Guará e Iguaçu (BM-S-9); Júpiter (BM-S-24); Bem-te-vi (BM-S-8); Corcovado (BM-S-52) e Azulão (BM-S-22) são os campos anunciados na região. Essas áreas têm potecial para mais que quadruplicar as reservas atuais de petróleo no país, juntamente com a região que ainda não foi licitada.

De acordo com a Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP), com os novos campos localizados abaixo da camada de sal na bacia que vai de Santa Catarina ao norte do Rio de Janeiro, as jazidas brasileiras passaram dos 13 bilhões de barris para cerca de 55 bilhões de barris. A ANP citou números semelhantes em algumas palestras.

As petroleiras estão indo mais fundo fora do cluster de Santos. A BG precisou perfurar a até 5.715 metros para comunicar a descoberta no S-M-508. Procurada, a empresa não comentou os motivos da expressiva perfuração até o fechamento desta edição. A Shell, que quase mergulhou a cinco mil metros no BC-10, na Bacia de Campos, informa que por enquanto não há estudos prontos para perfurar o pré-sal na região. Mas a companhia anglo-holandesa não descarta fazê-lo no futuro. Segundo a ANP, a Repsol também foi abaixo de cinco mil metros em Santos, no S-M-674. Já a Devon conta que a profundidade de seis mil metros já considera o caminho completo do poço horizontal no bloco BM-C-8.

Estão aproveitando o momento para testar objetivos mais profundos, por causa do sucesso do pré-sal comenta o geológo Luiz Dhremer, que trabalha numa grande multinacional atuante no país.

A Petrobras está tentando encontrar petróleo abaixo das reservas já conhecidas do campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos. Também em Santa Catarina há sondas que vão abaixo do objetivo inicial. E diversos outros registros na ANP mostram esta tendência na exploração da estatal.

O primeiro óleo de Tupi será comemorado no dia do Trabalhador. A visita do presidente Lula à plataforma foi cancelada por questões de segurança, mas o chefe do Executivo participará quinta-feira, no Rio, da inauguração na Coppe (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ) do Laboratório de Ensaios não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC), que se destaca entre os mais modernos do mundo e é o único em que as três áreas de conhecimento estão integradas no mesmo local.

Instalado no Campus da Ilha do Fundão, o novo laboratório está preparado para testar equipamentos e materiais para a indústria do petróleo, com destaque para os que serão utilizados na exploração das camadas do pré-sal.

Junto com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o presidente da República dará entrevista sobre o início da produção no campo de Tupi.