Em dia de otimismo, bolsa sobe e dólar cai

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - Depois de dias cautelosos por conta dos possíveis efeitos que a gripe suína causaria na economia mundial, o otimismo voltou a tomar contas do mercado financeiro nesta quarta-feira, mesmo com a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, referente ao primeiro trimestre deste ano.

Pela manhã, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou que a economia da região contraiu 6,1% no primeiro trimestre de 2009, bem pior que o esperado pelo mercado (contração de 4,7%. O recuo do PIB refletiu a forte queda dos investimentos (-51,8% ante -23,0% no trimestre anterior), além da ampliação da queda das exportações (-30,0% ante -23,6%) e importações (-34,1% contra -17,5% no trimestre anterior). Os gastos do governo também foram afetados, mostrando recuo de 3,9%, principalmente com defesa.

O único componente positivo foi o aumento acima do esperado do consumo pessoal, passando de uma queda de 4,3% para uma alta de 2,2%, reflexo da recuperação dos bens duráveis e não duráveis, fato em parte esperado devido ao aumento das vendas do setor varejista.

Mas, a divulgação de resultados corporativos trimestrais, melhores do que o projetado, animou os investidores. O banco espanhol Santander registrou lucro líquido de ? 2,096 bilhões (cerca de US$ 2,779 bilhões) entre janeiro e março deste ano, o que representa uma queda de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2008. O lucro por ação foi de ? 0,2472, 19,9% inferior ao período equivalente de 2008, afetado pelas ampliações de capital realizadas.

Por sua vez, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), dos Estados Unidos, do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) optou hoje por manter a taxa básica de juros inalterada, atualmente fixada entre 0% e 0,25% ao ano, conforme o mercado já esperava.

Por aqui, as apostas em relação ao rumo da taxa Selic, fixada em 11,25% ao ano, já foram feitas, agora resta saber a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá daqui há pouco a trajetória do juro do País. No mercado de renda fixa, a expectativa majoritária dos agentes financeiros é de que a taxa de juro básica da economia vai cair 1 ponto percentual. No entanto, há no mercado quem estime corte de 1,5 ponto percentual.

No mercado acionário, a bolsa brasileira seguiu o movimento externo e, ao final dos negócios, marcou valorização de 3,07%, aos 47.226 pontos. Esta é a maior pontuação desde 1º de outubro de 2008, quando o Ibovespa marcou 49.799 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,04 bilhões.

Já o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de junho deste ano projetou juro de 10,12%, ante 10,16% do ajuste da véspera. Janeiro de 2010 apontou taxa anual de 9,77%, contra 9,76% do último ajuste.

No mercado de câmbio, o dólar operou em baixa ao longo de toda esta quarta-feira, se distanciando ainda mais do piso de R$ 2,20. Após patinar em torno desta taxa em abril, o dólar tende a se enfraquecer em maio, influenciado pelos bons fundamentos internos, avalia o analista da corretora Socopa, Paulo Fujisaki. A divisa estrangeira fechou em baixa de 1,09%, vendida a R$ 2,172.

(Redação - InvestNews)