Economia americana encolhe 6,1% no primeiro trimestre

InvestNews

SÃO PAULO - A economia americana encolheu 6,1% no primeiro trimestre, à medida que as exportações e os estoques empresariais despencaram. A queda do Produto Interno Bruto (PIB), divulgada nesta quarta-feira, foi muito maior que a previsão de economistas, de 4,9%.

No último trimestre de 2008, o declínio havia sido de 6,3%. O PIB recuou por três trimestres consecutivos pela primeira vez desde 1974-1975.

Os dados surgem antes do término da reunião regular do Federal Reserve (FED). O FED, que cortou a taxa de juro para perto de zero e injetou cerca de US$ 1 trilhão na economia para tentar tirá-la da recessão, deve manter a política inalterada.

- Não haverá crescimento provavelmente até a segunda metade do ano, mas a queda no segundo trimestre, se for mesmo negativa, será menor - avaliou Michael Darda, economista-chefe do MKM Partners, em Greenwich, Connecticut.

O relatório preliminar do Departamento de Comércio mostrou que os estoques empresariais tiveram queda recorde de US$ 103,7 bilhões no primeiro trimestre, conforme as empresas buscavam reduzir os estoques de bens não vendidos de seus depósitos.

Esse dado provocou uma baixa de 2,79 pontos percentuais no número geral do PIB. Sem considerar os estoques, o PIB se contraiu 3,4%.

Queda de estoques é boa notícia

Mas a forte diminuição dos estoques é uma boa notícia, pois sugere que fabricantes e varejistas reduziram os estoques de mercadorias não vendidas para um nível administrável. Isso pode ser fundamental para interromper a recessão.

Recentes pesquisas do setor industrial feitas por unidades regionais do FED mostraram uma melhora no número de novas encomendas.

- Nós devemos ver um impacto decrescente dos estoques no PIB - disse Keith Hembre, economista-chefe do FAF Advisors, em Minneapolis.

As exportações despencaram 30%, maior declínio desde 1969, após recuo de 23,6% no quarto trimestre do ano passado. A queda nas exportações deduziu um recorde de 4,06 pontos percentuais do PIB.

Os investimentos empresariais tiveram baixa recorde de 37,9% no primeiro trimestre, enquanto os investimentos domésticos afundaram 38%, maior queda desde o segundo trimestre de 1980.

Mas o relatório também apresentou alguns indícios positivos. Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica americana, subiram 2,2%, após terem entrado em colapso no segundo semestre do ano passado.

O dado foi sustentado por uma alta de 9,4% nas compras de bens duráveis, primeiro avanço depois de quatro trimestres de recuo.

O Departamento de Comércio informou que o pacote de resgate do governo de US$ 787 bilhões, aprovado em fevereiro, teve pouco impacto sobre o PIB nos três primeiros meses do ano.

Parte desse estímulo foi direcionado para respaldar gastos dos governos federal e estaduais, que caíram 3,9% no primeiro trimestre, maior queda desde o segundo trimestre de 1981.

Um relatório separado mostrou que a requisição de empréstimos imobiliários retrocedeu na semana passada para o nível mais baixo desde meados de março.

A Mortgage Bankers Association informou que o índice de pedidos de financiamento imobiliário, que reflete tanto a demanda por empréstimos de compra como por refinanciamentos, caiu 18,1%.

Com Reuters.