Dólar cai pelo 2º dia e se distancia de R$ 2,20

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - O dólar operou em baixa ao longo de toda esta quarta-feira, se distanciando ainda mais do piso de R$ 2,20. Após patinar em torno desta taxa em abril, o dólar tende a se enfraquecer em maio, influenciado pelos bons fundamentos internos, avalia o analista da corretora Socopa, Paulo Fujisaki. A divisa estrangeira fechou em baixa de 1,09%, vendida a R$ 2,172.

"A perspectiva é de que quando normalizar a confiança na economia, os investidores tendem a voltar a trazer seus recursos aqui para o Brasil em forma de carry trade, já que a taxa de juros, apesar de menor, ainda continua bastante atrativa", observa Fujisaki. Na reunião desta noite, o consenso é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá reduzir a taxa Selic, fixada em 11,25% ao ano. A corrente majoritária aposta em corte de 1 ponto percentual, no entanto, há quem acredite em ajuste mais agressivo, de 1,5 ponto percentual. Vale destacar que no resto do mundo, o custo do dinheiro está negativo ou próximo de zero.

Para o diretor executivo da NGO corretora, Sidnei Moura Nehme, com a ausência de riscos de crise cambial fundamentada em reservas cambiais, a balança comercial surpreendendo e o fluxo cambial não preocupante, o dólar pode se aproximar dos R$ 2,00 ainda no próximo mês. "Certamente o preço da moeda norte-americana tende firmemente a continuar em depreciação, podendo chegar até o piso que pode surpreender e trazer um cenário desfavorável às exportações brasileiras e estimular as importações, que poderão concorrer com os produtos nacionais", frisa.

O BC divulgou que em abril, até o dia 24, o fluxo cambial está positivo em US$ 596 milhões. No entanto no ano, o saldo está negativo em US$ 2,378 bilhões. A autoridade monetária também realizou leilão de linha de crédito em moeda estrangeira para os bancos, com o mecanismo de venda e compra conjugado em três vencimentos. Na operação, foram negociados US$ 500 milhões.

Nos EUA, sem alterar o juro básico, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) avaliou os sinais de recuperação econômica dos EUA, ressaltando uma melhora modesta nas últimas seis semanas. Porém, enfatizou que é provável que a economia ainda se mantenha fraca por alguns meses. Por lá, as bolsas ignoraram a contração de 6,1% do PIB no primeiro trimestre, ante previsões de 4,7% e buscaram recuperação após as quedas atribuídas às preocupações com a gripe suína.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)