Decisão aponta para mais cortes futuros, diz economista

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - Sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em reduziu a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 10,25% ao ano, o economista do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, aponta dois aspectos em torno da decisão que merecem ser mencionados: a redução do ritmo de afrouxamento e a muito provável continuidade do ciclo de baixa dos juros.

O economista aponta que em primeiro lugar, o corte de 100 pontos-base foi inferior ao realizado na reunião de março (150 pontos) e afirma que alguns fatores podem justificar esta mudança de ritmo do processo.

O primeiro deles é que a percepção de que a pior fase da contração da atividade no Brasil e no exterior ficou para trás, embora o patamar seja baixo e a reação muito lenta. Outro ponto, diz respeito aos números de consumo, já que mostram que as reduções setoriais do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) vêm alcançando resultados promissores.

O economista destaca ainda a mudança da política fiscal, com a redução formal da meta de superávit primário; a complicada questão envolvendo a rentabilidade da poupança, cuja discussão ainda é incipiente e um possível sentimento por parte do Banco Central (BC) de que o ritmo de 150 pontos por reunião não é adequado.

"Por outro lado, outros fundamentos mostram que, mesmo em ritmo menor, ainda há espaço adicional para que a Selic volte a ser reduzida. As expectativas de inflação recuaram de maneira significativa desde a última reunião, e se encontram abaixo do centro da meta", diz Campos Neto, completando que os preços no atacado estão em queda, o que ajudará a manter a inflação aos consumidores sob controle.

"A taxa de câmbio, apesar de volátil, voltou a se apreciar. Por fim, o nível de utilização da capacidade da indústria está próximo das mínimas históricas, o que reduz o risco de pressões decorrentes do uso dos fatores de produção".

O economista vai mais além ao apontar que a economia está ainda debilitada e necessitando de estímulos adicionais para reagir, e em meio a um cenário de inflação controlada e alinhada à meta, o Banco Central poderá ainda promover ajustes adicionais para baixo na taxa básica de juros.

"Neste contexto, trabalhamos com um novo corte de 1 ponto em junho e uma última redução de 25 pontos em julho, o que deixaria a Selic em 9% ao ano - patamar na qual seria mantida até o final do ano. De todo modo, a leitura da ata na próxima semana poderá fornecer indícios dos passos seguintes da política monetária que, entretanto, estarão muito condicionados à evolução dos indicadores econômicos até a reunião de 10/junho".

(Redação - InvestNews)