Copom pode cortar 150 p.b., aposta Santander

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - O Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira, pela terceira vez este ano, o rumo da taxa básica de juros do país. Há consenso de que a equipe de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), irá implementar o terceiro corte de 2009 em, no mínimo, 75 pontos base.

Esta visão, contudo, é minoritária. De acordo com levantamento recente da Gazeta Mercantil com 15 instituições, apenas uma, o HSBC, projeta este número. Outras 12 anunciavam 100 p.b. A Austin Rating e o Santander projetam uma redução mais agressiva, de 150 p.b., mesmo patamar da reunião anterior. Atualmente, a Selic está em 11,25% ao ano.

Para Tatiana Pinheiro, economista do banco Santander, o cenário hoje é mais favorável a este corte do que o visto em março. O real apreciou aproximadamente 8%, a expectativa do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) caiu de 4,4% para 4,13% em 12 meses e os dados do primeiro trimestre mostraram controle dos preços.

"Além disso, as notícias da atividade econômica mostram que a diferença entre o crescimento efetivo e o potencial do Produto Interno Bruto (PIB) só aumentou, o que reduz a pressão inflacionária", explica Tatiana à InvestNews. "O quadro hoje é mais favorável para um corte do que a última reunião em março", avalia.

Ela rebate as afirmações que existam sinais de recuperação da economia, como as vendas no varejo restrito (exclui vendas de autos e construção civil), que voltou ao patamar anterior à crise. "Este é um dos índices mais atrasados e, na realidade, não caíram muito. A política monetária não deve usar um dado tão passado. Houve sim um ajuste muito forte na indústria e construção civil".

"Se o BC aplicar a mesma avaliação técnica não há porque desacelerar o corte", afirma. Tal fato levaria a taxa aos 9,75% ao ano, o menor patamar histórico. Desde o atual ciclo de afrouxo monetário, o comitê já diminuiu a Selic em 250 p.b. Apesar da visão mais agressiva, o Santander acredita que o ritmo deve desacelerar provavelmente no próximo encontro.

(Gustavo Kahil - InvestNews)