Bolsa sobe 3% e volta a patamar de 1º de outubro

SÃO PAULO, 29 de abril de 2009 - Depois de duas sessões consecutivas de cautela, por conta por possíveis efeitos que a gripe suína causaria na economia mundial, o otimismo voltou a tomar contas dos principais mercados acionários nesta quarta-feira, mesmo com a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, referente ao primeiro trimestre deste ano. A bolsa brasileira seguiu o movimento e, ao final dos negócios, marcou valorização de 3,07%, aos 47.226 pontos. Esta é a maior pontuação desde 1º de outubro de 2008, quando o Ibovespa marcou 49.799 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,04 bilhões.

"Estamos vendo muito fluxo em todas as bolsas. Os investidores estão apostando em ativos de risco. Por aqui, essa tendência ainda é ajudada pelos estrangeiros, que desde março estão procurando ativos brasileiros baratos. Por isso acredito que em um futuro bem próximo, devemos bater os 50 mil pontos", afirma Nicholas Barbarisi, sócio e diretor de operações da Hera Investment.

Pela manhã, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou que a economia da região contraiu 6,1% no primeiro trimestre de 2009, bem pior que o esperado pelo mercado (contração de 4,7%. O recuo do PIB refletiu a forte queda dos investimentos (-51,8% ante -23,0% no trimestre anterior), além da ampliação da queda das exportações (-30,0% ante -23,6%) e importações (-34,1% contra -17,5% no trimestre anterior). Os gastos do governo também foram afetados, mostrando recuo de 3,9%, principalmente com defesa.

O único componente positivo foi o aumento acima do esperado do consumo pessoal, passando de uma queda de 4,3% para uma alta de 2,2%, reflexo da recuperação dos bens duráveis e não duráveis, fato em parte esperado devido ao aumento das vendas do setor varejista.

Mas, a divulgação de resultados corporativos trimestrais, melhores do que o projetado, animou os investidores. O banco espanhol Santander registrou lucro líquido de ? 2,096 bilhões (cerca de US$ 2,779 bilhões) entre janeiro e março deste ano, o que representa uma queda de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2008. O lucro por ação foi de ? 0,2472, 19,9% inferior ao período equivalente de 2008, afetado pelas ampliações de capital realizadas.

O setor financeiro foi o destaque de alta no front externo, influenciando o movimento doméstico. As ações preferenciais de Itaú Unibanco e Bradesco marcaram valorização de 6,66% e 5,93%, respectivamente. "Não só o resultado do Santander, mas também a busca por ativos baratos - e o setor está barato - ajudou na alta", completa Barbarisi.

Por aqui, todas as atenções estão voltadas à reunião do Copom. "Não temos dúvidas da existência de espaço adicional para continuidade do processo de afrouxamento monetário no Brasil. Entretanto, acreditamos que o ritmo desse afrouxamento será alterado na decisão a ser anunciada hoje pelo Copom, optando por uma redução de 1 ponto percentual (p.p) na Selic, magnitude inferior àquela divulgada no encontro anterior", segundo relatório elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

Por aqui, além do setor financeiro, dentre os destaques de alta estiveram Gafisa ON (+13,62%), Cyrela ON (+10,42%) e Rossi ON (+9,2%). No sentido oposto figuraram Aracruz PNB (-5,59%), VCP PN (-5,51%) e Cosan ON (-2,85%).

(Vanessa Correia - InvestNews)