Crise põe em risco 60 mil empregos no setor de máquinas

REUTERS

SÃO PAULO - A indústria de máquinas no Brasil pode cortar entre 50 mil e 60 mil trabalhadores nos próximos cinco meses, se o ritmo de queda no faturamento do setor se mantiver ou se o governo não adotar uma política de desoneração de impostos para equipamentos, afirmou nesta terça-feira o presidente da entidade que representa o setor.

Segundo, Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), desde setembro de 2008, quando a crise de crédito se aprofundou, as indústrias de equipamentos nacionais já demitiram aproximadamente 15 mil trabalhadores.

- Se continuarmos tendo quedas de 20%, 30%, 40% (no faturamento), não tem o que fazer, teremos que cortar na carne - afirmou Aubert, durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina.

- Corremos os risco de ter 60 mil demissões no setor se nada for feito - declarou, apontando que essa redução no emprego pode ocorrer até setembro, se se mantiver a tendência atual de redução no faturamento.

Além da crise de crédito e dos juros altos do País, o fato do Brasil taxar investimento, diferentemente de outros países, agrava o problema da indústria, afirmou Aubert, lamentando que o câmbio continua desfavorável para o setor, apesar da recente valorização do dólar frente ao real.

Os dados mais atualizados da Abimaq, até fevereiro, indicam uma queda no faturamento de 26% no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 8,09 bilhões.

- Se o faturamento cai de 20% a 30%, e há indicações de que isso continue, vamos chegar no mesmo nível de março de 2007, quando tínhamos 200 mil empregados - destacou, observando que atualmente a indústria conta com aproximadamente 250 mil trabalhadores.

Entre os setores com mais demissões, Aubert aponta aqueles fabricantes de ferramentas. Ele considerou, no entanto, a redução tributária para a indústria automotiva ou para os fabricantes de eletrodomésticos como algo importante no momento atual.

- As montadoras têm uma capilaridade em outros setores, isso é importante, mas é um antitérmico, não está atacando a doença crônica, que é a maior carga tributária do mundo - disse.

Os fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, que já contam com algumas desonerações tributárias, têm verificado queda expressiva no faturamento, de 44% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo mês de 2008, mas o emprego está se mantendo em torno de 43 mil trabalhadores no País, de acordo a Abimaq.

- As máquinas agrícolas têm isenção de IPI, mas isso não basta. Quando se constrói uma máquina, há imposto em toda a cadeia de equipamentos afirmou Celso Casale, diretor da entidade.

Segundo Aubert, o setor de fabricantes de equipamentos agrícolas no Brasil é bastante dinâmico e acaba segurando o emprego.

- Mas se continuar a ter essa queda no faturamento, vai ter dispensa - disse.