Balança do setor têxtil fica negativa

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Os primeiros efeitos da crise no fim do ano passado mascararam o desempenho do setor têxtil brasileiro. Devido ao período de festas, o setor apresentou performance melhor que a esperada no último trimestre de 2008, uma vez que a população trocou o consumo de bens duráveis, com preço mais elevado, por bens não-duráveis, como vestuário. Entre outubro e dezembro, o saldo da balança do setor têxtil e de confecção ficou negativo em US$ 204,8 milhões.

Entretanto, com o atual cenário econômico, o acordo de cotas de importação estabelecido entre o Brasil e a China não foi renovado em dezembro, mês do vencimento. De acordo com o presidente do Sindicato dos Vestuários (Sindivestuário), Ronald Masijah, isso levou à entrada em massa de têxteis chineses no mercado brasileiro no primeiro trimestre de 2009, uma vez que os Estados Unidos reduziram as importações daquele país.

Prejuízo

Diante disso, no primeiro trimestre deste ano, o saldo da balança do setor têxtil e de confecção recuou ainda mais e ficou negativo em US$ 336 milhões. As importações somaram US$ 793 milhões, enquanto as exportações totalizaram US$ 458 milhões.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior confirmam que o volume de roupas importadas da China no mercado brasileiro subiu 56% nos primeiros três meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2008, ao passar de 11,576 mil toneladas para 18,066 mil toneladas.

Diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Valente Pimentel explica que a desaceleração da economia asiática colaborou para o aumento das importações.

Há um excesso de estoque de produtos no mundo em busca de um destino seguro. E o Brasil, por apresentar condições econômicas favoráveis, acolheu esse excedente externo afirmou.

Produção nacional prejudicada

Mas Pimentel destaca que o país não pode ser estuário do excedente da Ásia , uma vez que não há isonomia concorrencial. Os altos tributos brasileiros ainda são entrave para a competitividade no exterior. E o resultado de todo esse arranjo é a demissão. O setor têxtil que é o segundo maior empregador no Brasil, atrás apenas do setor de construção civil cortou 10 mil postos de trabalho no primeiro trimestre deste ano, o que caracterizou um dos piores casos de demissão da indústria.

No sentindo oposto, no mesmo período de 2008, foram gerados 13 mil novos empregos.

Não tememos a competição, o problema é que as condições são desleais disse Pimentel, ao ressaltar que os níveis de importação não condizem com os índices de varejo. Ou seja, muitos produtos foram adquiridos sem que houvesse necessidade.

Para Masijah, medidas como a redução da carga tributária federal e estadual e a desoneração na folha de pagamento são imprescindíveis para se manter a saúde competitiva e financeira do setor. De acordo com o presidente do Sindivestuário, se nada for feito, o desempenho no segundo trimestre também será desfavorável.

A tendência é piorar prevê Masijah.