Tesouro dos EUA quer poder para liquidar firmas como a AIG

Portal Terra

WASHINGTON - O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu ao Congresso do país, nesta terça-feira, a autoridade para assumir e fechar instituições financeiras com problemas para evitar a necessidade de futuros resgates, como o feito pelo governo no socorro à seguradora American International Group (AIG) com cerca de US$ 180 bilhões.

Geithner pediu aos parlamentares a autoridade para assumir grandes instituições financeiras não-bancárias. O pedido do secretário foi endossado pelo presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Ben Benrnanke, que disse que a AIG foi o caso que ilustrou a necessidade de se atualizar a regulação financeira no país.

- A AIG destacou a necessidade urgente de novas regras de procedimento para importantes instituições financeiras não-bancárias - destacou Bernanke, em comentários feitos ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes (deputados) dos Estados Unidos.

Além de Geithner e Bernanke, o pedido por mais poderes para lidar com instituições não-bancárias próximas da falência também foi reforçado pelo presidente Barack Obama.

- Na ausência de tal autorização, acabamos na situação em que nos encontramos, com uma instituição que apresenta um risco para o sistema, e na incapacidade de fechá-la para renegociar os contratos - afirmou o presidente.

O Congresso repercutiu nesta terça-feira uma controvérsia nacional devido ao pagamento de cerca de US$ 165 milhões em gratificações para executivos da AIG, depois que a firma recebeu ajuda do governo para impedir seu colapso.

- Como vimos com a AIG, as tribulações de instituições financeiras grandes, interconectadas e sem depósitos podem criar riscos sistêmicos como os bancos em problemas - disse Geithner.

Os dois pediram que os legisladores aprovem novas regulamentações que limitem os riscos assumidos pelas firmas e que podem colocar em risco todo o sistema financeiro.

Os dois expressaram seu repúdio e insatisfação por causa das bonificações pagas aos executivos da divisão de produtos financeiros da AIG, que foi a que levou à beira do colapso a maior firma de seguros dos EUA.

A Câmara de Representantes já aprovou uma lei que cria um imposto oneroso sobre as bonificações oferecidas a executivos de firmas que recebam mais de US$ 5 bilhões em ajuda governamental.